O Santos atravessa um momento de instabilidade na Série B do Brasileirão. Fora do G-4 pela primeira vez desde o início da competição, o Peixe não vence há três rodadas e vê a crise bater à porta. Apenas no início dessa semana, o clube da Vila Belmiro teve dois protestos no CT Rei Pelé e críticas públicas do presidente Marcelo Teixeira ao elenco.
Retrato bem diferente da perspectiva de dois meses atrás, no início de abril, quando o Peixe decidiu o Campeonato Paulista de igual para igual contra o rival Palmeiras, saiu com o vice-campeonato, mas cheio de esperanças por uma Série B sem turbulências.
Até aqui, são cinco vitórias e quatro derrotas na Segunda Divisão – rendimento que deixa o Peixe na quinta colocação na tabela, atrás de América-MG (18), Goiás, Mirassol e Avaí (todos com 17 pontos), e fora da zona de classificação para a Série A de 2025.
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A situação chama atenção pelo lado negativo. Afinal, o Santos é o grande favorito ao título na competição, tem um gasto aproximado R$ 11 milhões com a folha salarial do elenco e demonstra uma clara queda técnica depois da campanha que o colocou na final do Paulistão.
Abaixo, o ge lista os cinco motivos que transformaram o cenário do clube da Vila Belmiro.
Idas e vindas no departamento médico
Nas últimas quatro rodadas da Série B, o Santos viu alguns de seus titulares indo para o departamento médico e, como é comum na maioria dos clubes brasileiros, não conseguiu manter o ritmo de jogo sem seus principais nomes à disposição.
Os atacantes Guilherme, Julio Furch e Pedrinho viraram desfalques, assim como o volante João Schmidt, o lateral Aderlan e o goleiro João Paulo, que deve retornar aos gramados apenas no ano que vem. Repleto de baixas, o técnico Fábio Carille foi obrigado a mexer na equipe, que acabou não correspondendo em campo.
Derrota para o lanterna e perda de confiança
Como anunciado pelo presidente Marcelo Teixeira desde o início da temporada, o Santos vendeu o mando de campo do confronto com o Botafogo-SP para a cidade de Londrina. O clube recebeu R$ 600 mil pela transação, mas deixou o interior do Paraná insatisfeito com a experiência.
A começar pelo público considerado baixo e a sensação de um estádio vazio. Em campo, apesar das 22 finalizações ao gol adversário, o Peixe não conseguiu converter as chances criadas e foi derrotado por 2 a 1. O detalhe é que o Botafogo-SP não tinha marcado na Série B até então e era o lanterna da tabela.
O resultado ruim e a sensação de estar jogando fora de casa uma partida que estava programada para ser disputada na Vila Belmiro mexeram com a confiança dos jogadores.
Planejamento logístico
O ponto alto da crise interna certamente foi a logística feita pelo clube para jogar em Londrina em uma segunda-feira e depois em Novo Horizonte na sexta-feira da mesma semana.
Para potencializar os treinamentos e evitar desgastes longos, a diretoria do Santos optou por estender a estadia em Londrina e depois treinar em Catanduva, no interior paulista, antes de visitar o Novorizontino. A programação fez com que os jogadores ficassem uma semana inteira longe de casa.
Houve descontentamento no elenco, evidenciado por Weslley Patati, que reclamou publicamente de uma viagem de ônibus de seis horas. Posteriormente, o garoto foi multado pela diretoria e, mais tarde, cobrado por lideranças das organizadas do Peixe.
Críticas públicas
O passo seguinte da instabilidade foi a entrevista do presidente Marcelo Teixeira à rádio Bandeirantes no domingo – dois dias após a derrota para o Novorizontino fora de casa.
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O cartola deixou claro seu descontentamento com alguns nomes do elenco, falou que cogita negociar Patrick e citou uma reformulação na próxima janela. No dia seguinte, avisou o Conselho Deliberativo que o meia Cazares deixará o clube e que emprestará o volante Nonato ao Japão.
Ainda na segunda-feira, o executivo Alexandre Gallo atendeu a imprensa no CT Rei Pelé e, em um movimento similar ao de Marcelo Teixeira, reconheceu que o grupo precisa ser reforçado para que o Santos mantenha o objetivo de retornar à elite do futebol brasileiro com o título da Série B.
“Papo reto” no CT
Antes dos treinamentos de terça e quarta-feira, membros das organizadas Torcida Jovem e Sangue Jovem foram até o CT cobrar explicações de jogadores, comissão técnica e diretoria.
As conversas foram em tom de cobrança e, embora não haja qualquer relato de violência, o papo evidenciou a crise. Alguns jogadores não ficaram satisfeitos com o acessos das organizadas ao centro de treinamento, porém escutaram as críticas sem apresentar contestações.
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