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    Home»Destaque»O desafio do PT: mudar ou perder | Maílson da Nóbrega
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    O desafio do PT: mudar ou perder | Maílson da Nóbrega

    BarthimanBarthimanfevereiro 15, 2025
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    As ideias econômicas do PT não evoluíram, ao contrário do que se viu em congêneres na Europa. Lá, no século XIX, as agremiações de esquerda surgiram sob o binômio defendido por Karl Marx e Friedrich Engels no manifesto comunista de 1848: ditadura do proletariado e propriedade estatal dos meios de produção. O Partido Social-Democrata da Alemanha nasceu marxista em 1875, mas nunca consagrou essas ideias como prática de governo. Mais tarde, aderiu a outro binômio: democracia e economia de mercado sob regulação do Estado.

    No pós-guerra, todos os partidos relevantes de esquerda europeus adotaram o novo binômio nos estatutos. Os casos mais estudados, dos partidos da Espanha e do Reino Unido, incorporavam, implícita ou explicitamente, a estatização total da economia, o que era rejeitado pela maioria dos eleitores nos dois países. Por isso, Felipe González e Tony Blair, respectivamente, tiveram de vencer resistências internas para mudar os estatutos. Ganharam as eleições.

    Logo cedo, o PT rejeitou a ditadura do proletariado, preferindo a democracia para alcançar o poder. Na economia, nunca pregou o controle dos meios de produção pelo Estado, mas crê, incontestavelmente, na ampla intervenção do governo e no papel do gasto público e das empresas estatais para a promoção do desenvolvimento do país.

    “Quando Lula não mais fizer parte do cenário eleitoral, a sigla terá de fazer uma profunda revisão do ideário”

    O partido é impermeável à constatação de que as estatais são um fenômeno de época já remota. Elas se justificam apenas quando suas atividades, mesmo que necessárias, não atraem o interesse dos investidores. O PT tampouco se convence de que a produtividade — e não o gasto — é a principal fonte de geração de riqueza de um país, uma ideia que já havia sido percebida por Adam Smith em 1776, quando observou o funcionamento de uma fábrica de alfinetes.

    Mesmo assim, o PT venceu cinco das nove últimas eleições presidenciais. As vitórias se explicam pelo desgaste dos governos dos adversários e pela inequívoca força eleitoral de Lula, o maior líder popular de nossa história. Apesar disso, na primeira ascensão ao poder foi preciso publicar a Carta ao Povo Brasileiro, em que prometia observar conceitos básicos do capitalismo como a responsabilidade fiscal, a propriedade privada e o respeito aos contratos.

    Declarações recentes de Lula e de ministros mostram que o PT pouco ou nada mudou. O presidente diz que aprendeu com a mãe a somente gastar o que tem, como se responsabilidade fiscal não precisasse ser provada, constituindo mero exercício de retórica política. Espantosamente, disse ainda que, a depender dele, não haverá novas medidas fiscais. O combate à inflação de alimentos requereria ações específicas do governo.

    Já há quem duvide da competitividade eleitoral do presidente em 2026 ou que ele se manterá na corrida. Quando Lula não mais fizer parte do cenário eleitoral, o PT precisará conquistar as eleições por si mesmo. Dificilmente vencerá sem revisão profunda de seu ideário econômico.

    Publicado em VEJA de 14 de fevereiro de 2025, edição nº 2931

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