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    Home»Destaque»Como a disputa EUA-China desafia a estratégia brasileira, segundo a Abin
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    Como a disputa EUA-China desafia a estratégia brasileira, segundo a Abin

    BarthimanBarthimandezembro 2, 2025
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    A guerra comercial entre Estados Unidos e China, aprofundada no atual governo Trump, acelera um processo de “desglobalização’ que já se desenhava desde antes da pandemia de covid-19. Para o Brasil, que depende economicamente das duas potências rivais, o cenário impõe um equilíbrio delicado: manter relações fluídas com ambos sem provocar custos econômicos ou estratégicos.

    Refletir sobre como o País deve agir diante dessa realidade é um dos cinco grandes desafios listados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no recém-lançado relatório Desafios de Inteligência. O documento é uma espécie de bússola para orientar governo e sociedade sobre temas que, na avaliação da agência, exigem atenção prioritária.

    A dependência brasileira em relação à China, destaca a Abin, é essencialmente comercial: as exportações de commodities para o país asiático garantem parte expressiva do superávit da balança externa. Já com os Estados Unidos, o vínculo é financeiro e tecnológico — investimentos, empréstimos e acesso a inovações. Daí que apostar abertamente a favor de um dos dois rivais pode ter consequências negativas para o Brasil.

    Essas análises integram o desafio que a agência chama de “reconfiguração das cadeias globais de suprimentos’. Tais cadeias são redes internacionais de produção que distribuem etapas de design, obtenção de matérias-primas, fabricação e comercialização por vários países. O exemplo clássico é o smartphone: projetado nos EUA, com chips de Taiwan, telas da Coreia do Sul, montagem na China e venda globalizada.

    Nos anos 1990 e 2000, a cadeias organizadas da seguinte maneira: a parte intelectual e tecnológica ficava nos países mais ricos (EUA, europeus) e a mão de obra, nos emergentes (China, principalmente).

    A ascensão chinesa, porém, mudou essa lógica. O país investiu em sofisticação tecnológica, ampliou seu parque industrial, tornou-se potência exportadora e passou a financiar infraestrutura em diversas regiões, por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda.

    A ameaça representada pela China à hegemonia econômico-financeira americana provocou um consenso interno nos EUA. Tanto democratas quanto republicanos veem os chineses como inimigos. A guerra tarifária de Trump e o pacote de 3 trilhões de dólares para atrair de volta a produção ao território americano são capítulos dessa reação.

    “Essa lógica de desglobalização deliberada busca reestruturar o sistema comercial global para corrigir o que o governo norte-americano considera desequilíbrios estruturais’, registra o relatório da Abin.

    A análise da conjuntura internacional é uma atribuição prevista na Política Nacional de Inteligência, em vigor desde 2016, ainda no governo Temer. Há uma nova a caminho. Foi enviada pelo governo Lula ao Congresso, para exame na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, composta de deputados e senadores. Após a avaliação parlamentar, voltará ao governo para os retoques finais e posterior decreto presidencial.

    A Abin afirma ter dois diferenciais no acompanhamento da economia global. O primeiro é um “olhar sistêmico’ ancorado na lógica de segurança econômica, geoeconômica e guerra econômica. O segundo é o “monopólio legal de meios operacionais especializados para a obtenção de dados negados’. Em outras palavras, a capacidade de descobrir segredos que os rivais preferem esconder.

    Credito. Carta Capital / André Barrocal

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