O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, disse, em evento com representantes da Justiça da Alemanha realizado nesta quarta-feira, 16, que houve uma ‘lavagem cerebral’ em grande parte da população brasileira para desacreditar as instituições democráticas. Segundo o ministro, há o crescimento de um ‘populismo baseado na ideologia extrema-direita’, que começou a atacar a democracia a partir de grupos extremistas que espalham desinformações nas redes sociais.
‘A partir de toda uma construção feita com base em premissas falsas, a partir de toda uma forte construção nas redes sociais, houve uma verdadeira lavagem cerebral em grande parte da população para desacreditar instituições, para desacreditar a democracia. Mas não com um discurso de acabar com a democracia, mas sim com um discurso de que os instrumentos democráticos, principalmente as eleições, estariam sendo fraudados’, disse Moraes.
Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro afirmou que esses grupos desistiram de tentar promover um golpe de Estado através de ‘ataques externos’, decidindo atacar as instituições democráticas ‘por dentro’, a partir da organização de milícias pela internet, que acusam, sem provas, a existência de fraudes no sistema eleitoral.
‘Se o mecanismo estaria sendo fraudado, o resultado, consequentemente, seria uma fraude, e a democracia estaria em risco. Consequentemente, só aqueles salvadores da pátria populistas poderiam salvar a democracia’, afirmou.
Moraes participou do seminário ‘Democracia defensiva: experiência da Alemanha e do Brasil’, apresentado por Josef Christ, ministro do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha. No evento, o ministro destacou a atuação do TSE como um ‘defensor da Constituição’ e o trabalho da Corte Eleitoral nas eleições de outubro.
Moraes disse que TSE precisou ‘inovar’ para combater fake news
Nesta terça-feira, 15, Moraes também falou sobre a atuação do TSE para combater a desinformação contra o sistema eleitoral. Segundo o ministro, o Poder Judiciário precisou ‘inovar’ para preservar a democracia nas eleições de 2022 com os ataques e as notícias falsas disseminadas sobre o sistema eleitoral. Para o ministro, o número de fake news propagadas na internet estavam escalando desde 2018 e chegaram a um patamar ‘inédito’ nas últimas eleições.
Na ocasião, o presidente do TSE também relacionou esse processo com um projeto global feito por membros da ‘extrema-direita’. ‘Essa agressão se iniciou há décadas atrás com um projeto de conquista de poder de extremistas no mundo todo’, afirmou.



