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    Por que diagnosticar e tratar a endometriose é um desafio

    BarthimanBarthimanjaneiro 17, 2026
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    A endometriose é uma doença crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, e entre 5% e 15% no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.

    Ela ocorre quando células semelhantes ao revestimento interno do útero se instalam fora da cavidade uterina, em órgãos como ovários, intestino e peritônio. Essas células respondem aos hormônios do ciclo menstrual, mas, fora do útero, o sangramento provoca inflamação, aderências e dor intensa.

    Apesar de considerada benigna, a doença é recidivante e não há tratamento capaz de eliminar totalmente as lesões ou impedir que retornem. Cólicas incapacitantes, dor crônica e dificuldade para engravidar fazem parte da rotina de muitas pacientes.

    Segundo o ginecologista Ricardo de Almeida Quintairos, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Febrasgo, o diagnóstico é frequentemente atrasado porque médicos generalistas desconhecem a doença. No Brasil, a média de espera até a identificação chega a 7 anos, agravando dor, comprometimento de órgãos e risco de infertilidade.

    O manejo da endometriose se concentra em aliviar sintomas e preservar qualidade de vida. Medicamentos anti-inflamatórios ajudam a controlar a dor, enquanto tratamentos hormonais, como anticoncepcionais, progestagênios, dispositivos intrauterinos e análogos do GnRH, reduzem a atividade do tecido endometriótico. Quando há dor persistente ou comprometimento de órgãos, a cirurgia, geralmente por videolaparoscopia, é indicada, embora a doença possa recidivar mesmo após o procedimento.

    Estudos recentes mostram que terapias complementares podem ajudar no controle da dor. Acupuntura, exercícios físicos e suplementação com vitaminas D, C e E têm mostrado benefícios, ainda que seja necessária mais pesquisa para consolidar protocolos de tratamento.

    Pesquisas também avançam em terapias antifibróticas, medicamentos hormonais de nova geração e medicina de precisão, incluindo marcadores genéticos para diagnóstico e acompanhamento, além de uso de inteligência artificial para análise de exames e identificação precoce da doença.

    A endometriose não afeta apenas o corpo. Ela está associada a ansiedade, depressão, distúrbios do sono e estresse crônico, e causa custos econômicos elevados, principalmente pela perda de produtividade.

    Para Quintairos, campanhas de conscientização são essenciais: “Mulheres precisam entender que cólica intensa não é normal. Procurar o sistema de saúde cedo pode mudar o curso da doença’.

    Enquanto não há cura, médicos e pesquisadores buscam tratamentos mais eficazes, menos invasivos e personalizados, capazes de controlar sintomas, preservar a fertilidade e reduzir os impactos da doença ao longo da vida.

    O principal desafio na endometriose continua sendo o diagnóstico precoce. O exame padrão-ouro é a videolaparoscopia com biópsia, mas é invasivo e não indicado como 1ª abordagem. Exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética pélvica, têm se mostrado eficazes, especialmente para casos profundos.

    No Brasil, a detecção leva em média 7 anos, segundo o Ministério da Saúde. “O diagnóstico é fácil, mas muitas mulheres passam por médicos generalistas que desconhecem a doença’, afirma Ricardo Quintairos, da Febrasgo. O atraso aumenta dor, risco de comprometimento de órgãos e infertilidade.

    A endometriose também afeta a saúde mental, com maior prevalência de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e estresse crônico. Estudos indicam que acompanhamento multidisciplinar e terapias complementares melhoram a qualidade de vida.

    O impacto econômico é elevado: custos anuais vão de US$ 2.200 a US$ 12.900 por paciente, com perdas de produtividade representando a maior parte. Quintairos destaca a necessidade de campanhas de conscientização: “Cólicas intensas não são normais. Procurar o sistema de saúde cedo pode mudar o curso da doença’.

    As dificuldades no diagnóstico precoce e no tratamento da endometriose têm levado pesquisadores a buscarem abordagens mais eficazes e menos invasivas. O objetivo é melhorar o controle dos sintomas e reduzir os impactos da doença ao longo da vida das pacientes.

    Entre as frentes mais estudadas estão as terapias antifibróticas, que inibem a formação de tecido cicatricial associada à progressão da doença. Um estudo de 2023 mostrou que a neferina, derivada da planta lótus, reduziu a fibrose endometriótica em modelos celulares e animais.

    Pesquisas também avançam em medicamentos hormonais mais seletivos, como moduladores dos receptores de progesterona e antagonistas de GnRH de segunda geração — entre eles elagolix e relugolix — que oferecem controle da dor e menores efeitos colaterais, incluindo preservação da massa óssea.

    A medicina de precisão surge como outra aposta, com estudos investigando marcadores genéticos e moleculares capazes de indicar a presença da doença, sua evolução e a resposta individual às terapias. Em 2022, um estudo mostrou que microRNAs na saliva podem diferenciar mulheres com endometriose daquelas sem a condição, abrindo caminho para diagnósticos menos invasivos.

    A inteligência artificial também começa a ser usada como ferramenta diagnóstica, treinando algoritmos para identificar padrões em exames de imagem e prontuários que podem passar despercebidos. Iniciativas digitais buscam ainda orientar pacientes sobre sintomas e tratamentos, potencialmente acelerando o diagnóstico e ampliando o acesso à informação.

    “Olhando para os próximos quatro ou cinco anos, devem surgir medicamentos promissores’, afirma o ginecologista Ricardo Quintairos. “O desafio é o preço, muitas vezes incompatível com a realidade brasileira, mas com o tempo poderemos oferecer soluções mais acessíveis e eficazes para as pacientes.’

    Com informações da Agência Einstein

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