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    Uso de IA por jovens para saúde mental pode levar a dependência e solidão

    BarthimanBarthimanjaneiro 19, 2026
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    Cada vez mais presentes no nosso dia a dia, as ferramentas de IA (inteligência artificial) generativa —aquelas capazes de gerar conteúdos novos em texto, vídeo ou imagem— têm sido utilizadas para uma infinidade de propósitos, desde agilizar leituras acadêmicas até criar ilustrações. Contudo, o avanço dessa tecnologia também trouxe uma nova configuração para um problema de saúde pública global: a solidão. E isso é especialmente preocupante quando se trata de adolescentes.

    Um estudo publicado no final de 2025 no periódico BMJ aponta que plataformas de IA como ChatGPT, Claude e Gemini têm sido cada vez mais usadas como confidentes, funcionando como um ‘porto seguro’ emocional para muitos usuários, especialmente os jovens. Segundo a pesquisa, um terço dos adolescentes usa IA para interação social, e um em cada dez relatou que as conversas com o chatbot são mais satisfatórias do que as com humanos.

    Existe a preocupação de que eles desenvolvam uma dependência emocional e passem a ver a IA como um ‘amigo’. Contudo, embora pareçam conscientes, esses sistemas carecem de capacidade real de empatia, cuidado e sintonia relacional humana. Portanto, se de um lado há uma certa democratização do cuidado em saúde mental por pessoas com dificuldade de acesso a serviços de saúde, do outro existe o potencial de agravamento do isolamento social.

    ‘Estamos o tempo todo com a possibilidade de nos conectar, só que essas conexões, inclusive com outros seres humanos via digital, muitas vezes são mais superficiais’, diz o médico psiquiatra Daniel de Paula Oliva, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

    No Brasil, essa realidade pode ser ainda mais preocupante diante da falta de acesso a serviços de saúde mental. De acordo com uma pesquisa realizada pela Cisco, líder mundial em redes de segurança, em parceria com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil é o segundo país que mais usa IA generativa (51,6%), atrás apenas da Índia (66,4%). O levantamento ouviu mais de 14 mil pessoas de 14 países, sendo mais de mil brasileiros.

    O artigo do BMJ aponta que, embora a IA possa ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão em contextos controlados, seu uso pode levar a ‘relacionamentos quase-pessoais’, conforme escrevem os autores Susan C. Shelmerdine e Matthew M. Nour, médicos vinculados a instituições de saúde e pesquisa no Reino Unido. Isso ocorre porque a fluência da tecnologia induz o cérebro a humanizá-la.

    O impacto em longo prazo no desenvolvimento dos jovens ainda é desconhecido, mas a publicação também alerta para um perigo específico: as IAs oferecem paciência infinita e dificilmente apresentam narrativas contrárias e desafiadoras, o que pode criar uma geração que não sabe lidar com conflitos naturais de interações humanas reais. ‘Com a inteligência artificial, muitas vezes, nem encontramos frustração. Ela vai alimentando os nossos desejos e tirando nossa capacidade de entender o outro, de se entender, de buscar algo em consonância ou de se afastar da pessoa, de construir outros laços, de ceder, exigir e aprender que esse é um ritmo da vida’, avalia o psiquiatra do Einstein.

    Estudantes da E.E. Alberto Torres, em São Paulo, usando ferramentas de IA no programa Tarefa SP – Marco Ankosqui – 19.mai.25/Governo de São Paulo

    Cada vez mais presentes no nosso dia a dia, as ferramentas de IA (inteligência artificial) generativa —aquelas capazes de gerar conteúdos novos em texto, vídeo ou imagem— têm sido utilizadas para uma infinidade de propósitos, desde agilizar leituras acadêmicas até criar ilustrações. Contudo, o avanço dessa tecnologia também trouxe uma nova configuração para um problema de saúde pública global: a solidão. E isso é especialmente preocupante quando se trata de adolescentes.

    Um estudo publicado no final de 2025 no periódico BMJ aponta que plataformas de IA como ChatGPT, Claude e Gemini têm sido cada vez mais usadas como confidentes, funcionando como um ‘porto seguro’ emocional para muitos usuários, especialmente os jovens. Segundo a pesquisa, um terço dos adolescentes usa IA para interação social, e um em cada dez relatou que as conversas com o chatbot são mais satisfatórias do que as com humanos.

    Existe a preocupação de que eles desenvolvam uma dependência emocional e passem a ver a IA como um ‘amigo’. Contudo, embora pareçam conscientes, esses sistemas carecem de capacidade real de empatia, cuidado e sintonia relacional humana. Portanto, se de um lado há uma certa democratização do cuidado em saúde mental por pessoas com dificuldade de acesso a serviços de saúde, do outro existe o potencial de agravamento do isolamento social.

    ‘Estamos o tempo todo com a possibilidade de nos conectar, só que essas conexões, inclusive com outros seres humanos via digital, muitas vezes são mais superficiais’, diz o médico psiquiatra Daniel de Paula Oliva, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

    No Brasil, essa realidade pode ser ainda mais preocupante diante da falta de acesso a serviços de saúde mental. De acordo com uma pesquisa realizada pela Cisco, líder mundial em redes de segurança, em parceria com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil é o segundo país que mais usa IA generativa (51,6%), atrás apenas da Índia (66,4%). O levantamento ouviu mais de 14 mil pessoas de 14 países, sendo mais de mil brasileiros.

    O artigo do BMJ aponta que, embora a IA possa ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão em contextos controlados, seu uso pode levar a ‘relacionamentos quase-pessoais’, conforme escrevem os autores Susan C. Shelmerdine e Matthew M. Nour, médicos vinculados a instituições de saúde e pesquisa no Reino Unido. Isso ocorre porque a fluência da tecnologia induz o cérebro a humanizá-la.

    O impacto em longo prazo no desenvolvimento dos jovens ainda é desconhecido, mas a publicação também alerta para um perigo específico: as IAs oferecem paciência infinita e dificilmente apresentam narrativas contrárias e desafiadoras, o que pode criar uma geração que não sabe lidar com conflitos naturais de interações humanas reais. ‘Com a inteligência artificial, muitas vezes, nem encontramos frustração. Ela vai alimentando os nossos desejos e tirando nossa capacidade de entender o outro, de se entender, de buscar algo em consonância ou de se afastar da pessoa, de construir outros laços, de ceder, exigir e aprender que esse é um ritmo da vida’, avalia o psiquiatra do Einstein.

    A IA pode ser positiva se funcionar como um caminho para o cuidado real. ‘Ela tem o potencial de identificar sinais de que o indivíduo está em sofrimento psíquico e de ser uma ponte, como até o próprio artigo traz, para um cuidado efetivo, um convite para a pessoa repensar o tipo de relação com a máquina e com os seres humanos em volta dela, e buscar um cuidado de saúde mental’, analisa Oliva.

    Daí por que debates sobre regulação e fortalecimento de redes de apoio presenciais são tão necessários. ‘Ofertar mais cuidados em saúde mental e grupos de troca dentro das comunidades pode ser um passo que ajude a trabalhar essa questão da solidão’, sugere o médico. A recomendação para familiares e profissionais de saúde é observar se o uso da tecnologia está gerando alienação, ou seja, se a interação com a máquina está substituindo o contato humano a ponto de o indivíduo perder as ferramentas de convívio social. Essa pode ser a hora de buscar ajuda profissional.

    A transição do uso recreativo das inteligências artificiais para um padrão problemático pode ser marcada por sintomas semelhantes aos de outras dependências químicas ou comportamentais. Confira alguns dos principais sinais de alerta:

    · Abstinência digital: sentir ansiedade ao ficar longe de conexões de internet ou do chatbot;

    · Abandono da rotina: deixar de praticar atividades físicas, trabalhar ou estudar para manter a interação virtual;

    · Perda de funcionalidade social: dificuldade em lidar com as frustrações do dia a dia e com as complexidades de um relacionamento humano real, em que há divergências e necessidade de ceder;

    · Dificuldade para dormir ou ‘trocar o dia pela noite’;

    · Sentimentos como tristeza profunda ou isolamento total.

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