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    Após dois anos excepcionais, 2026 traz desafio para carne bovina

    BarthimanBarthimanjaneiro 20, 2026
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    Após um 2024 espetacular e um2025 ainda melhor, 2026 será um período de desafios para o setor de exportação de carne bovina. Esses desafios virão de questões geopolíticas, tarifas, acesso a mercados e limitação de exportações via cotas. A avaliação é de Roberto Perosa, presidente daAbiec(Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

    O ano passado foi um período não só de avanço da carne brasileira no mercado externo mas também de agregação de valor. As exportações somaram 3,5 milhões de toneladas, com crescimento de 21%, e renderam US$ 18 bilhões, 40% a mais. A valorização ocorreu principalmente em países daUnião Europeia, como Itália, Espanha, Alemanha e Bélgica.

    O desempenho deste ano vai depender da China e dos Estados Unidos. O país asiático impôs pesadas taxas de importação para o produto brasileiro que for negociado fora de uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Os chineses importaram 1,68 milhão no ano passado, deixando US$ 8,9 bilhões por aqui. Ainda não dá para avaliar o novo ritmo de compra da China, segundo a Abiec.

    Já os Estados Unidos, que eliminaram a também pesada taxa extra de 50% do ano passado, ainda mantêm tarifa de 26,4%. Após venda de 272 mil toneladas, em 2025, o setor espera colocar 400 mil toneladas neste ano no mercado americano. Os Estados Unidos têm um déficit de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina.

    O acordo União Europeia-Mercosulainda não interfere, uma vez que não deverá entrar em vigor até o fim deste ano, segundo o presidente da Abiec. Quando aprovado pelos Parlamentos dos países envolvidos, elevará de 5% a 7% as exportações brasileiras, em um mercado que necessita de produto de maior valor agregado.

    Apesar de todos os desafios de 2026, Perosa acredita em estabilidade nas exportações brasileiras, em relação a 2025. Devem ficar entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas. A oferta mundial de carne passa por um momento de redução, o que não deverá ocorrer no Brasil. Além da manutenção da demanda externa para o produto brasileiro, o presidente da Abiec diz que este é um ano eleitoral, período de estímulo no consumo interno da proteína.

    O recente avanço das importações da China deu nova dinâmica à pecuária brasileira. Houve rejuvenescimento do plantel e aumento dos investimentos, e a evolução de produção é feita hoje com base em nova métrica, segundo Perosa. Ele diz acompanhar os números da consultoria Athenagro, de Maurício Nogueira, e que os dados mostram melhora na produtividade. Segundo informações recentes da consultoria, pela primeira vez, em setembro, a produção formal de carne bovina ultrapassou 1 milhão de toneladas em um mês, graças ao aumento de rendimento das carcaças.

    Um dos principais desafios no momento é a imposição de cotas da China. Com relação a isso, tudo está na mesa e ainda por definir. O setor espera um parecer do governo para mitigar impactos.

    Há uma apreensão para saber como vai ser a distribuição dessas cotas. ‘Se o setor ficar sem regulação, poderá ter corrida nas vendas’, afirma Perosa. Na avaliação do presidente da Abiec, a China vai precisar de carne. Não há como aumentar muito a produção no país asiático, e o preço da arroba de boi por lá é de US$ 120, enquanto no Brasil é de US$ 55, afirma o presidente da entidade (Folha, 20/1/26)

     

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