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    Destaque

    Contagem de calorias das refeições perde força nos Estados Unidos

    BarthimanBarthimanjaneiro 23, 2026
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    A advogada Eve Tilley-Coulson, que é millenial [geração das pessoas nascidas entre 1981 e 1996], fez um vídeo no TikTok no ano passado destacando que a geração Z [nascidos entre 1997 e 2012] nunca conhecerá o horror dos pacotes de lanches de 100 calorias, nos quais finas fatias de brownie ressecadas se passavam por uma sobremesa indulgente.

    ‘Eram apenas 200 calorias, mas você precisava de três para se sentir satisfeito. A matemática não estava funcionando’, diz ela em uma entrevista.

    E para muitos americanos, a caloria não está mais ‘caloriando’. Por mais de um século, ela se manteve como a principal medida de nutrição e gerenciamento de peso do país, mas seus dias de glória podem ter acabado.

    O pacote de 100 calorias foi jogado na pilha da nostalgia enquanto o brilho multimilionário dos produtos de baixa caloria se desvanece. O surgimento dos medicamentos GLP-1, que podem reduzir drasticamente o apetite, tornou a contagem de calorias irrelevante para muitas pessoas. Influenciadores que pregam a redução de calorias têm sido cada vez mais acusados de promover transtornos alimentares.

    Até mesmo o Vigilantes do Peso, nascido em 1963 e há muito considerado a avó dos programas de contagem de calorias, entrou com pedido de falência em maio. A empresa ainda depende de um sistema de cálculo de ‘pontos’, mas em janeiro começou a distribuir Wegovy em forma de pílula.

    ‘O domínio que as calorias exerceram sobre nossa cultura está se afrouxando’, diz Helen Zoe Veit, historiadora de alimentos da Universidade Estadual de Michigan. ‘Elas simplesmente não são uma ótima maneira para a maioria das pessoas se relacionar com a alimentação, e contá-las é uma forma fundamentalmente insustentável para as pessoas terem um relacionamento saudável ou alegre com a comida.’

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    Uma nova onda de interesse em nutrição e uma compreensão mais sofisticada da fisiologia da fome tornaram a dependência exclusiva da ingestão calórica para perder peso algo tão simplista quanto dizer aos adolescentes para ‘Apenas Dizer Não’ às drogas.

    As diretrizes dietéticas dos departamentos federais de Agricultura e Saúde e Serviços Humanos dos EUA não sugeriram abertamente limites calóricos até 2005, quando introduziram uma meta média de 2.000 calorias por dia. Esse parâmetro não mudou, mas como alcançá-lo sim. As diretrizes dietéticas revisadas anunciadas este mês abandonaram o conselho de comer mais formas de laticínios com baixo teor de gordura e grãos integrais, e em vez disso sugerem laticínios integrais e mais carne —o que nutricionistas dizem tornar a limitação de calorias um desafio.

    Pela primeira vez, as diretrizes alertam contra alimentos ultraprocessados. Apesar de terem valor nutricional questionável, eles compõem mais da metade das calorias que os americanos consomem em casa, de acordo com um estudo de 2024 da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Johns Hopkins.

    ‘Estamos naquele ponto em que agora estamos considerando a composição nutricional. Não é contagem de calorias; é quais calorias contam’, diz Keith Albright, gerente sênior de insights do consumidor da Cargill.

    Os números de calorias ainda dominam os rótulos nutricionais nos alimentos, em tipo grande e negrito, uma mudança que a Administração de Alimentos e Medicamentos fez em 2016. Desde 2018, um mandato federal exige que todas as redes de restaurantes os listem nos menus.

    Mas tais medidas não parecem ter reduzido o consumo de calorias. Um estudo do ano passado sobre esforços semelhantes em vários países mostrou que a redução média na ingestão calórica das pessoas era o equivalente dietético a algumas batatas fritas.

    A caloria não nasceu para impulsionar a perda de peso. Um cientista francês começou a usar o termo como medida de calor na década de 1820, enquanto buscava uma maneira de explicar o poder de uma máquina a vapor. Wilbur Atwater, professor de química da Universidade Wesleyan, aplicou a caloria aos alimentos na década de 1880, usando-a em parte para ajudar famílias pobres a obter o máximo de benefício nutricional pelo seu dinheiro. Alguns cientistas de alimentos ainda usam uma versão moderna do equipamento essencial daquela época, o calorímetro.

    Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo dos EUA pediu ao público que comesse menos alimentos ricos em calorias que na época eram considerados saudáveis, como farinha, açúcar e carne vermelha, porque os soldados americanos e seus aliados precisavam delas. Os restaurantes adicionaram contagens de calorias aos menus para que os clientes pudessem monitorar seu consumo e ter a garantia de que ainda estavam obtendo calorias suficientes, mesmo que estivessem comendo alimentos substitutos.

    ‘A década de 1910 foi uma década estranha, onde as calorias podiam se relacionar igualmente com esforços para ganhar peso, perder peso ou manter o peso na cultura popular’, diz Veit, que explorou o período em seu livro ‘Comida Moderna, Comida Moral: Autocontrole, Ciência e a Ascensão da Alimentação Americana Moderna no Início do Século 20’. A magreza, antes considerada um sinal de que você era pobre demais para se alimentar bem, tornou-se um símbolo de status.

    Mas dizer às pessoas para simplesmente comerem menos é tão ineficaz quanto dizer a um alcoólatra para beber menos, diz Jason Fung, médico creditado por popularizar o jejum intermitente. ‘As calorias são uma parte tão pequena da fisiologia humana real e da psicologia humana da alimentação’, diz. ‘A restrição calórica sozinha não funciona.’

    Nem todos acreditam que o tempo da caloria acabou. A influenciadora de saúde e fitness Jillian Michaels afirma que a única razão pela qual as pessoas perdem peso com os GLP-1 é que ‘eles estão impondo calorias que entram, calorias que saem a um custo financeiro e com efeitos colaterais’. Os medicamentos, diz, devem ser usados apenas em casos em que há uma quantidade significativa de peso a perder e sob os cuidados de um médico.

    ‘Eu sempre vou dizer para tentar comer menos por conta própria’, diz. ‘O melhor conselho é fechar a boca, fazer boas escolhas alimentares, se movimentar com mais frequência, focar no sono, beber água e tudo vai dar certo.’

    A professora de nutrição Marion Nestle tem pesquisado calorias e tamanhos de porções há décadas, mesmo quando era mais popular utilizar quantidades variáveis de gordura ou carboidratos como forma de perder peso.

    ‘As calorias contam’, diz. ‘Você simplesmente não deveria estar contando-as porque não pode fazê-lo com precisão.’

    À medida que a contagem de calorias diminui, novas maneiras de avaliar os alimentos continuam a surgir. O fácil acesso a uma quantidade vertiginosa de conselhos nutricionais criou um exército de especialistas de sofá. Muitas pessoas estão abandonando a matemática complicada necessária para decifrar os rótulos nutricionais, e em vez disso estão contando gramas de proteína e fibra.

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