O mercado de trigo segue com expectativa de retomada gradual da demanda nas próximas semanas, impulsionada pela volta das atividades dos moinhos após o período de final de ano. No entanto, a ampla oferta global deve continuar exercendo pressão sobre os preços, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
No Brasil, com a colheita já consolidada, a previsão é de que o ritmo de negócios ganhe força a partir da segunda quinzena de janeiro. A recuperação da demanda dos moinhos e as incertezas em relação à qualidade do trigo argentino tendem a dar sustentação ao mercado interno. Ainda assim, a sazonalidade mais favorável neste início de ano não deve resultar em altas expressivas, já que os estoques domésticos permanecem em níveis confortáveis.
No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as estimativas de produção e de estoques globais de trigo para a safra 2025/26. A produção mundial foi projetada em 842 milhões de toneladas, um novo recorde e aumento de 5,2% em relação à temporada 2024/25. O avanço é puxado principalmente pela União Europeia, com alta de 18%, Rússia (+10%), Austrália (+8%) e Argentina (+49%). O consumo global deve crescer 2%, enquanto os estoques finais são estimados em volume 7% superior ao do ciclo anterior.
Na Argentina, a colheita está praticamente concluída, com 98,5% da área colhida até o dia 8 de janeiro, segundo a Bolsa de Cereales. A produção foi novamente revisada para cima, alcançando 27,8 milhões de toneladas, o maior volume da história do país. Apesar das lavouras apresentarem excelente condição, há preocupação com o menor teor de proteína do trigo, fator que desvaloriza o produto e pode levar a indústria a buscar grãos de outras origens para a composição dos blends.





