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    Destaque

    Guerra no Oriente Médio trava explosão de alta no mercado boi gordo e acende alerta no mercado

    BarthimanBarthimanmarço 5, 2026
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    O agravamento do conflito no Oriente Médio começou a provocar reflexos diretos no mercado pecuário brasileiro. Após um período de valorização contínua durante fevereiro, o mercado físico do boi gordo interrompeu a escalada de preços e passou a operar em ritmo mais cauteloso, com negociações travadas em diversas regiões do país.

    Analistas apontam que o principal fator por trás dessa desaceleração é o aumento das incertezas logísticas no comércio internacional, especialmente envolvendo rotas estratégicas de transporte marítimo. A situação tem levado frigoríficos e exportadores a adotarem postura mais conservadora nas compras de gado, aguardando maior clareza sobre os impactos da crise geopolítica no fluxo global de mercadorias. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp

    De acordo com especialistas do setor, embora o cenário externo tenha introduzido volatilidade, os fundamentos internos da pecuária brasileira continuam sustentando os preços da arroba do boi gordo, especialmente diante da oferta limitada de animais prontos para abate. Logística internacional entra no radar do mercado

    O encarecimento da logística internacional aparece como uma das consequências mais imediatas do conflito no Oriente Médio. O analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, avalia que o ambiente de negócios permanece travado enquanto a indústria frigorífica monitora os efeitos da instabilidade sobre o transporte marítimo e o comércio global de carne.

    Segundo ele, o aumento dos custos logísticos é considerado o impacto mais evidente neste momento, ainda que não haja, até agora, interrupção direta dos embarques de proteína animal.

    A preocupação está ligada principalmente à segurança das rotas comerciais que passam por regiões estratégicas do Oriente Médio, como o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo e mercadorias do mundo.

    Apesar das tensões, declarações recentes do governo dos Estados Unidos indicando que o tráfego marítimo será mantido na região ajudaram a acalmar parcialmente os mercados internacionais.

    Ainda assim, operadores do setor seguem atentos, já que qualquer interrupção ou encarecimento do transporte pode impactar diretamente os custos de exportação da carne bovina brasileira. Frigoríficos reduzem compras e aguardam cenário externo

    Além do aumento dos custos logísticos, a guerra no Oriente Médio também elevou o grau de incerteza nos mercados futuros e nas decisões de compra da indústria frigorífica.

    Consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário apontam que parte dos frigoríficos decidiu reduzir temporariamente as compras de boi gordo, aguardando maior previsibilidade sobre o cenário internacional e o comportamento do câmbio.

    Essa postura defensiva também foi reforçada após queda nos contratos futuros do boi gordo negociados na B3, movimento que refletiu o aumento das tensões geopolíticas e o temor de impacto no comércio internacional de carne bovina.

    Outro ponto observado pelos analistas é que o Oriente Médio exerce papel relevante no comércio global de carne, atuando não apenas como consumidor, mas também como importante hub logístico e comercial da proteína animal.

    Por isso, qualquer instabilidade na região tende a repercutir rapidamente nas decisões de compra e venda do mercado internacional. Preços da arroba se mantêm firmes nas principais praças

    Mesmo com a desaceleração nas negociações, os preços da arroba do boi gordo seguem relativamente estáveis nas principais regiões produtoras do país.

    Levantamento recente mostra as seguintes médias: São Paulo: R$ 355,17/@ Goiás: R$ 335,54/@ Minas Gerais: R$ 345,88/@ Mato Grosso do Sul: R$ 341,02/@ Mato Grosso: R$ 338,04/@

    Nas negociações específicas de exportação, o chamado “boi-China’ segue sendo negociado próximo de R$ 355/@ em São Paulo, enquanto o boi gordo sem padrão exportação gira em torno de R$ 352/@.

    Apesar da cautela da indústria, os analistas destacam que a oferta restrita de animais terminados continua limitando quedas mais acentuadas nas cotações. Escalas de abate curtas sustentam o mercado do boi gordo

    Outro fator que impede recuos mais fortes nos preços é a situação das escalas de abate dos frigoríficos. Em média nacional, elas permanecem curtas, com cerca de cinco dias úteis de programação, indicando oferta limitada de gado pronto para abate.

    Essa combinação — oferta restrita de animais e incertezas externas — cria um ambiente de equilíbrio no mercado, no qual as negociações avançam de forma mais lenta, mas sem pressão significativa de baixa nos preços. Mercado da carne no atacado permanece acomodado

    No mercado atacadista, o cenário também é de estabilidade. Os preços da carne bovina seguem acomodados, embora analistas indiquem que ainda há algum espaço para ajustes moderados de alta.

    Atualmente, os valores médios são: Quarto dianteiro: R$ 21,00/kg Quarto traseiro: R$ 27,00/kg Ponta de agulha: R$ 19,50/kg

    Mesmo assim, especialistas observam que a carne bovina vem perdendo competitividade frente a proteínas mais baratas, especialmente o frango, o que limita movimentos mais agressivos de valorização. Pecuária brasileira monitora guerra no Oriente Médio

    Embora os fundamentos internos da pecuária brasileira permaneçam positivos — com oferta restrita de boiadas e demanda externa consistente —, o setor segue atento aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

    A expectativa dos analistas é que o mercado do boi gordo volte a ganhar ritmo à medida que o cenário geopolítico se estabilize e as condições logísticas do comércio internacional se tornem mais previsíveis.

    Até lá, a tendência é de um mercado cauteloso, em que frigoríficos, exportadores e pecuaristas acompanham de perto qualquer mudança no cenário global que possa afetar custos, exportações e a dinâmica de preços da arroba do boi gordo.

    *Escrito por Compre Rural Notícias

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