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    Home»Destaque»Produtores que adotam gestão técnica atravessam ciclo pecuário com maior margem
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    Produtores que adotam gestão técnica atravessam ciclo pecuário com maior margem

    BarthimanBarthimanmarço 6, 2026
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    Em um momento de transição do ciclo pecuário, marcado pela passagem gradual da fase de baixa para a fase de alta, as decisões tomadas dentro da porteira hoje terão impacto direto no médio e longo prazo. Para apoiar o produtor rural e evitar escolhas por impulso, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS oferece suporte no planejamento, na análise de mercado e na construção de sistemas produtivos mais eficientes e resilientes.

    Na pecuária de corte, o tempo é um fator decisivo. Para o invernista de fêmeas, os efeitos costumam ser percebidos cerca de um ano depois, enquanto na atividade de cria esse prazo pode ultrapassar dois anos. Mesmo assim, ainda é comum que o produtor baseie suas escolhas apenas no cenário do momento, sem levar em conta a dinâmica do ciclo pecuário.

    De acordo com o coordenador da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS, Fabiano Pessatti, compreender essa lógica é fundamental para reduzir riscos. “Quando o produtor toma decisões olhando apenas para o ‘hoje’, sem considerar o ciclo pecuário, ele acaba assumindo riscos elevados e, muitas vezes, comprometendo os resultados futuros da propriedade’, explica.

    A dinâmica do ciclo segue a lei da oferta e da demanda e tem no preço do bezerro seu principal gatilho. A escassez de bezerros eleva preços e margens da cria, estimulando a retenção de fêmeas. Esse movimento reduz o abate, restringe a oferta de animais e contribui, com o tempo, para a valorização da arroba do boi gordo. Na sequência, o aumento da oferta futura de bezerros pressiona seus preços, dando início ao ciclo de baixa e reiniciando todo o processo.

    Decisões reativas aumentam riscos e impactam nos resultados

    Quando a condução do sistema produtivo ocorre de forma reativa, baseada apenas no instinto ou em leituras superficiais do mercado, sem estratégia definida, os impactos negativos tendem a aparecer de forma silenciosa. Dados do benchmarking da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS, referentes ao ano pecuário 2023/2024 – período considerado um dos momentos mais desafiadores do atual ciclo de baixa da pecuária – evidenciam que, mesmo entre propriedades assistidas, o desempenho produtivo e econômico varia de acordo com o nível de gestão e de adoção das recomendações técnicas.

    Em uma atitude reativa, as propriedades acompanhadas apresentaram, em média, redução de 1,59 arroba por hectare (@/ha) no estoque. Nos sistemas de recria e engorda, as perdas foram ainda mais expressivas, com médias de 7,46 @/ha e 4,71 @/ha, respectivamente. Na prática, muitos produtores acabaram comercializando animais adquiridos a custos elevados justamente no menor preço médio da arroba registrado nos últimos três anos, muitas vezes com o objetivo de manter o fluxo de caixa da fazenda no azul.

    “A ausência de planejamento e de análise estruturada do sistema produtivo intensifica esse problema. Quando o produtor não utiliza plenamente as forças da propriedade, deixa de corrigir gargalos, perde oportunidades e se expõe a ameaças tanto nos momentos de alta quanto nos de baixa do ciclo. Esse processo, muitas vezes gradual, leva à descapitalização da atividade, frequentemente atribuída apenas a fatores externos’, observa Pessatti.

    As fazendas com margem bruta positiva, identificadas no levantamento, apresentaram taxa de desmama média de 67,36%, período médio de estação de monta de 7,67 meses e produção de 139,76 quilos de bezerro por matriz exposta, indicadores significativamente superiores aos observados nas propriedades com margem bruta negativa, que registraram taxa de desmama de 57,99% e produção de 114,73 quilos por matriz. Entre as propriedades acompanhadas, há realidades distintas, desde fazendas com estação de monta consolidada, de cerca de três meses, até aquelas que iniciaram a adoção da prática recentemente.

    A diferença também se reflete no resultado econômico, enquanto os sistemas mais eficientes alcançaram margem bruta média de R$ 901,36 por hectare ao ano, aqueles com menor eficiência apresentaram resultado de R$ 459,98 por hectare ao ano. Em uma base que reúne mais de 580 mil hectares de pastagens e 740 mil cabeças, o benchmarking demonstra que o acompanhamento técnico e gerencial permite identificar gargalos, orientar correções e apoiar o produtor na transição de sistemas deficitários para modelos produtivos mais eficientes e rentáveis ao longo do ciclo pecuário.

    Dados do benchmarking da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS

    É nesse contexto que a Assistência Técnica e Gerencial se torna um diferencial estratégico. Por meio da ATeG, os técnicos de campo do Senar/MS auxiliam o produtor na realização de diagnósticos completos da propriedade, considerando histórico técnico, produtivo e econômico.

    “A partir desse diagnóstico, são definidas metas alinhadas aos objetivos do produtor e construído um plano de ação coerente com a realidade do sistema produtivo. Isso permite que a propriedade se posicione de forma mais estratégica ao longo do ciclo pecuário’, destaca o coordenador.

    A metodologia da ATeG incentiva a tomada de decisão baseada em números, indicadores e estratégias, sem desconsiderar a experiência do produtor. Custos de produção, produtividade, desempenho zootécnico e resultados financeiros passam a orientar escolhas mais conscientes, reduzindo riscos e aumentando a rentabilidade da atividade. Dessa forma, o produtor deixa de reagir aos movimentos do mercado e passa a se posicionar de forma estratégica diante do ciclo pecuário.

    Por meio da ATeG, o Senar/MS abre portas para novas conquistas, promovendo sustentabilidade e fortalecendo a permanência do produtor no campo. Para saber mais, procure o Sindicato Rural do seu município.

    Credito. Ana Paula – Assistente de Jornalismo

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