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    Home»Destaque»Entenda o que é heterossexualidade compulsória, termo usado pela cantora Camilly Victória
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    Entenda o que é heterossexualidade compulsória, termo usado pela cantora Camilly Victória

    BarthimanBarthimanabril 21, 2026
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    A crítica da cantora Camilly Victória, 24, filha de Xanddy e Carla Perez, sobre heterossexualidade compulsória colocou em debate o termo usado para descrever a pressão social que trata a heterossexualidade como padrão esperado, especialmente para mulheres.

    Ao responder seguidores no Instagram, ela afirmou que muitas mulheres lésbicas passam por esse processo de adequação social antes de compreender a própria orientação sexual. ‘A sociedade faz a gente crescer acreditando que, para ser feliz, precisa encontrar ‘o homem da sua vida’’, disse, ao comentar como padrões sociais podem influenciar percepções e escolhas afetivas.

    O termo heterossexualidade compulsória descreve a pressão social e cultural que pressupõe a heterossexualidade como norma e expectativa padrão. Isso significa que desde cedo as pessoas são ensinadas, por meio da família, da escola, da religião, da mídia e de outros espaços sociais, a considerar o relacionamento heterossexual como destino natural ou obrigatório.

    A escritora Adrienne Rich (1929-2012), uma das autoras que introduziu e popularizou o conceito, analisa a heterossexualidade não como uma escolha individual, mas como uma instituição política que sustenta o domínio masculino sobre as mulheres.

    Ela argumenta que essa estrutura se mantém por diferentes mecanismos de poder, que vão da violência física ao controle econômico e simbólico, e que moldam desde cedo as experiências e expectativas femininas. A heterossexualidade aparece como uma norma socialmente imposta.

    Assistente social e pesquisadora de gênero e sexualidade na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Alice Nascimento acrescenta que essa construção começa ainda na infância, quando meninas são socializadas a imaginar relações heterossexuais como destino natural.

    Isso aparece em brincadeiras como ‘namorado’, em expectativas familiares e também na mídia, com filmes e histórias em que mulheres são frequentemente colocadas no papel de serem ‘salvas’ por homens.

    A pesquisadora Gloria Rabay, da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), explica que a heterossexualidade compulsória é tratada como única forma legítima de vivência afetiva e sexual, enquanto outras expressões são historicamente deslegitimadas, invisibilizadas ou associadas à ideia de desvio.

    Para Rabay, esse sistema não afeta apenas pessoas LGBTQIA+, mas também mulheres heterossexuais, já que ele organiza as relações de gênero a partir de uma lógica de hierarquia. Nessa estrutura, o masculino ocupa posição dominante, enquanto o feminino é frequentemente associado à submissão.

    A pesquisadora da UFPB também chama atenção para o caráter histórico e cultural dessas normas. Para ela, categorias como heterossexualidade e homossexualidade deveriam ser entendidas como construções sociais que variam ao longo do tempo e entre culturas.

    A heterossexualidade compulsória funcionaria, então, segundo as pesquisadoras, como um mecanismo que regula comportamentos, reforça padrões e tende a invisibilizar experiências que escapam da norma.

    ‘Homens que não atendem a esse padrão também sofrem pressão. Um homem mais frágil, um homem mais delicado, de certa forma, ele está traindo o padrão da heteronormatividade. Ele não precisa ser gay, ele só precisa não atender ao padrão para sofrer essa pressão’, diz Rabay.

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