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    Home»Destaque»Algoritmo eleva detecção de câncer de fígado de 55% para 72%, segundo estudo
    Destaque

    Algoritmo eleva detecção de câncer de fígado de 55% para 72%, segundo estudo

    BarthimanBarthimanabril 23, 2026
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    Um estudo apontou eficácia de um algoritmo desenvolvido para rastrear episódios de carcinoma hepatocelular, tipo mais comum de câncer de fígado. Em comparação com exames de ultrassonografia, a tecnologia elevou o diagnóstico precoce das lesões de 55% (com o método de imagem) para 72%. Os achados foram publicados no periódico Journal of Medical Economics.

    Além de testar a eficácia do método, o levantamento tinha a proposta de avaliar a custo-efetividade da inclusão do método no acompanhamento de pacientes em monitoramento para tumores no fígado.

    Para validação da tecnologia, batizada como GAAD, os pesquisadores elaboraram um modelo de microssimulação a partir de dados de 100.000 pacientes italianos diagnosticados com câncer colorretal com indicação de observação para carcinoma hepatocelular em função de quadros de cirrose. O algoritmo foi comparado com ultrassom isolado e ultrassom combinado a biomarcadores. Foi avaliado ainda o uso de GAAD e ultrassom.

    “Embora o modelo de microssimulação tenha sido baseado principalmente em evidências da literatura, dados do mundo real italianos foram incorporados tanto para simular uma coorte representativa de pacientes com carcinoma hepatocelular, capturando a evolução epidemiológica da doença nos últimos anos, quanto para orientar os padrões de tratamento, garantindo que o modelo reflita com precisão a prática clínica atual”, escreveram os autores.

    O algoritmo GAAD, desenvolvido pela Roche Diagnóstica, gera um escore de risco para desenvolvimento do câncer de fígado a partir da análise de quatro variáveis: sexo, idade e os biomarcadores sanguíneos AFP e PIVKA-II. A ferramenta pode integrar plataformas digitais de laboratórios para apresentar, de forma automática, os resultados.

    “Um dos principais desafios do câncer de fígado é que ele pode evoluir de forma silenciosa e, em muitos casos, o ultrassom isolado pode ter limitações para identificar tumores muito pequenos ou presentes em fígados já comprometidos pela cirrose. A chegada do algoritmo poderia representar uma ferramenta complementar, funcionando como uma espécie de ‘segunda opinião’ digital”, diz Carolina Pimentel, hepatologista e professora da pós-graduação em gastroenterologia da Afya Educação Médica São Paulo.

    Assim como em outros tumores, a detecção em estágio inicial faz diferença nas condutas adotadas para combater a doença. “De forma geral, o diagnóstico precoce seria um fator determinante para ampliar as chances de tratamento e melhorar o prognóstico dos pacientes. Para o paciente, a identificação da doença em estágios mais iniciais significa mais possibilidades terapêuticas, como cirurgia ou transplante, em vez de abordagens focadas apenas no controle da doença”, explica.

    Eficácia no diagnóstico

    O ser comparado com o ultrassom, o método aumentou os diagnósticos precoces de 55% para 72%. O índice de falsos negativos da estratégia foi de 0,6%, um indício de que o percentual de falhas é residual.

    No que diz respeito ao impacto econômico, um dos alvos do estudo, o grupo encontrou potencial para incorporação em sistemas de saúde, inclusive por ter levado à redução de custos por paciente na ordem de 100 euros (cerca de 585 reais na cotação atual).

    “A publicação reforça o papel das soluções digitais no avanço da medicina diagnóstica. Ao integrar ciência, dados e tecnologia, ferramentas baseadas em algoritmos clínicos têm potencial para ampliar a precisão do rastreamento, apoiar a tomada de decisão médica e gerar ganhos de eficiência para hospitais e sistemas de saúde”, afirmou Carlos Martins, CEO da Roche Diagnóstica.

    Câncer de fígado

    Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 12.350 novos casos de câncer de fígado para cada ano do triênio de 2026 a 2028 no Brasil.

    Tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, obesidade e o uso de esteroides anabolizantes estão entre os principais fatores de risco para o tumor. A cirrose hepática e a hepatite crônica também têm relação com o desenvolvimento das lesões.

    Os principais sintomas são dor abdominal, distensão abdominal, perda de peso sem explicação, perda de apetite, mal-estar, tonalidade amarelada na pele e nos olhos (icterícia) e acúmulo de líquido no abdômen (ascite).

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