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    Home»Destaque»Governo decidiu amplificar a crise da derrota histórica de Lula
    Destaque

    Governo decidiu amplificar a crise da derrota histórica de Lula

    BarthimanBarthimanabril 30, 2026
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    O governo foi dormir bêbado de raiva com a derrota de Lula. Não conseguiu digerir o veto do Senado à indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal.

    Levou rancor para o travesseiro, depois de terceirizar a culpa pelo fiasco —  a de um suposto pacto entre “bolsonarismo e chantagem política” na versão difundida por Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência.

    É notável como o governo fez questão de amplificar a própria crise. Ela começou no anúncio da escolha de Messias em novembro do ano passado. Diante da reação desfavorável no Senado, Lula esperou cinco meses para formalizar a indicação. Quando decidiu pagar para ver, descobriu que já não tinha cacife para sustentar esse jogo de poder a seis meses das eleições.

    O governo precisava de 41 votos entre os 81 senadores. Achou que teria 45, como divulgou, porque não poupou esforços de persuasão. Nem o cofre.

    Liberou 12,5 bilhões de reais no pagamento de emendas parlamentares até segunda-feira (27/4), em contraste com o pagamento de um bilhão de reais em março. Significa que gastou 463 milhões de reais por dia, ou ainda, 19,2 milhões por hora para atender ao Congresso.

    Teve, também, o apoio pouco discreto de alguns juízes do Supremo, onde se maneja centena de investigações contra parlamentares (por suspeita envolvimento em fraudes com emendas ao orçamento, no Banco Master e no INSS). Porém, nem isso teve efeito inibidor no plenário do Senado.

    Resultado: Lula só conseguiu 34 votos de apoio à sua indicação para o STF, depois de cinco meses de intensa mobilização para aprovação de Messias. Em vez de reduzir o ruído, o governo optou por amplificar a crise. Na sequência da derrota no Senado, redes sociais foram inundadas com uma nova fase da campanha publicitária “Congresso, inimigo do povo”.

    Ressentimentos com o fiasco de ontem podem complicar o jogo legislativo de hoje: o Congresso deve analisar o veto de Lula à redução das penas aplicadas aos condenados por crimes no 8 de janeiro de 2023, entre eles tentativa de golpe de Estado. Um dos potenciais beneficiários seria Jair Bolsonaro, que está inelegível e sentenciado a 27 anos de prisão (pode ficar em 16 anos).

    Nova derrota de Lula não é improvável. Ampliaria sua coletânea de erros numa fase crítica da campanha eleitoral, em que metade do eleitorado diz ter medo do futuro com a reeleição de Lula ou a eleição de Flávio Bolsonaro. Vale lembrar: a seis meses da votação, os dois candidatos exibem rejeição recorde num cenário aparentemente volátil nas pesquisas, com dois terços de indecisos e quatro em cada dez eleitores dizendo que podem mudar o voto.

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