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    Destaque

    Arroba do boi gordo vai parar nos R$ 340 ou voltar aos R$ 370? Mercado acompanha China e Copa do Mundo

    BarthimanBarthimanmaio 25, 2026
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    Depois de semanas marcadas por pressão baixista e recuo acelerado nas cotações, o mercado do boi gordo encerrou a semana dando sinais de reação em importantes praças pecuárias do Brasil. A movimentação ocorre em um ambiente ainda bastante cauteloso, no qual frigoríficos seguem tentando alongar escalas de abate enquanto produtores demonstram maior resistência em negociar animais prontos para o abate em preços considerados baixos.

    O cenário atual reflete um momento de transição importante para a pecuária brasileira. De um lado, houve um aumento significativo da oferta de animais terminados nas últimas semanas, impulsionado pela piora das pastagens com o avanço do outono e pela necessidade de giro nas propriedades. Do outro, começam a surgir fatores que podem limitar novas quedas mais intensas, especialmente em estados onde a retenção de gado ainda reduz a disponibilidade imediata de boiadas. No radar seguem as exportações para China e consumo interno com a chegada da Copa do Mundo de Futubol. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp

    Segundo levantamento do Compre Rural o mercado físico do boi gordo fechou a semana com maior firmeza nos preços e até negociações acima da média em determinados estados.

    Ao mesmo tempo, dados divulgadas por algumas consultorias mostram que, desde a segunda quinzena de abril, a arroba acumulou uma queda próxima de R$ 22/@ em São Paulo, saindo de R$ 366,27/@ para R$ 344,82/@, conforme o Indicador Datagro.

    Essa combinação entre forte correção recente e sinais pontuais de reação ajuda a explicar o comportamento mais defensivo dos pecuaristas nos últimos dias. Retenção de oferta volta a influenciar o mercado do boi gordo

    Em estados como Pará, Rondônia e Mato Grosso, consultorias já observam um movimento de retenção de animais por parte dos produtores, estratégia usada para desacelerar negócios e tentar melhorar as referências de preços.

    Na prática, isso reduz a pressão imediata sobre o mercado físico e dificulta novas tentativas agressivas de compra por parte da indústria frigorífica.

    Em São Paulo, principal referência nacional da arroba, o encurtamento das escalas de abate também voltou ao radar. Segundo análise da Safras & Mercado, algumas negociações retornaram ao patamar de R$ 350/@.

    O movimento é relevante porque acontece justamente após um período em que os frigoríficos vinham operando com maior conforto nas compras, aproveitando o aumento da oferta ocorrido ao longo de maio. O que provocou a queda recente da arroba?

    A desvalorização registrada desde abril não aconteceu por um único fator. O mercado enfrentou uma combinação de elementos que pressionaram fortemente a arroba em praticamente todas as regiões produtoras.

    Entre os principais pontos estão: aumento da oferta de animais terminados; perda de qualidade das pastagens; consumo doméstico mais fraco na segunda quinzena do mês; alongamento das escalas frigoríficas; menor urgência da indústria nas compras.

    Segundo análise da Agrifatto, a piora do consumo doméstico após o esgotamento dos salários do início do mês contribuiu para um ambiente de baixa liquidez e negociações lentas.

    Além disso, a consultoria destacou que a disputa entre pecuaristas e frigoríficos continuou intensa, com os produtores tentando segurar ofertas à espera de melhora no cenário externo — especialmente envolvendo a China — enquanto a indústria manteve postura confortável graças às escalas alongadas.

    Esse embate entre oferta e demanda continua sendo o principal fator de definição das cotações no curto prazo. Mercado acompanha atentamente China e exportações

    Nos bastidores da pecuária, o mercado segue extremamente atento ao comportamento das exportações brasileiras de carne bovina, especialmente para a China.

    A percepção entre muitos produtores é que o mercado externo ainda pode trazer sustentação para a arroba ao longo do segundo semestre, principalmente caso a demanda chinesa continue aquecida ou haja flexibilizações relacionadas às medidas de salvaguarda impostas pelo país asiático.

    Esse fator ajuda a explicar por que parte dos pecuaristas evita vender grandes volumes neste momento, mesmo após a recente queda de preços.

    Além disso, operadores do setor avaliam que a oferta de animais confinados tende a perder intensidade gradualmente em algumas regiões, o que também pode reduzir a pressão sobre a arroba nas próximas semanas. Consumo interno pode ganhar força com Copa do Mundo e sazonalidade

    Outro ponto observado pelo mercado é a possibilidade de melhora gradual no consumo doméstico ao longo de junho. Segundo análise, eventos de grande audiência e movimentação no varejo, como a Copa do Mundo, tradicionalmente ajudam a estimular as vendas de carne bovina no país.

    Embora o consumo interno ainda enfrente limitações por causa do custo de vida e do comportamento mais seletivo das famílias, qualquer melhora na reposição entre atacado e varejo tende a trazer impacto direto sobre a demanda por boiadas.

    No atacado, porém, o cenário segue relativamente estável. Os cortes bovinos encerraram a semana sem grandes mudanças nos preços, refletindo justamente uma reposição ainda mais lenta típica do fim do mês. Como ficaram as cotações do boi gordo

    Segundo dados divulgados pela Safras & Mercado, as referências médias da arroba ficaram nos seguintes níveis: São Paulo: R$ 347,42/@ Goiás: R$ 325,54/@ Minas Gerais: R$ 325,88/@ Mato Grosso do Sul: R$ 348,98/@ Mato Grosso: R$ 351,62/@ Já em São Paulo, a Scot Consultoria apontou o “boi-China’ negociado a R$ 348/@ no prazo, enquanto o boi gordo comum permaneceu em R$ 345/@. Copa do Mundo, eleições e comportamento histórico da arroba entram no radar do mercado

    Já em São Paulo, a Scot Consultoria apontou o “boi-China’ negociado a R$ 348/@ no prazo, enquanto o boi gordo comum permaneceu em R$ 345/@.

    Apesar da pressão baixista observada neste final de maio, parte do mercado já começa a olhar com mais atenção para fatores que podem influenciar o comportamento da arroba no segundo semestre. Segundo o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, a expectativa é de que os preços do boi gordo encontrem certa estabilidade entre R$ 340/@ e R$ 345/@ ao longo de junho, patamar abaixo dos valores registrados no primeiro quadrimestre do ano, quando a arroba chegou próxima de R$ 370/@ em São Paulo.

    De acordo com Fabbri, o atual cenário é reflexo de uma oferta mais confortável de animais terminados, impulsionada pela entressafra do capim e pelo aumento da carga de bovinos disponível para abate. Ainda assim, o analista destaca que o mercado acompanha fatores sazonais que historicamente costumam impactar o consumo de proteína bovina no Brasil.

    “Estudos já mostram que temos um aumento de 10% no consumo de proteínas em período de Copa do Mundo. Além disso, quando analisamos o comportamento da arroba do boi gordo em anos em que esse evento esportivo ocorre, somando, ainda, as eleições, a tendência é de aumentos de preço no segundo semestre quando comparamos anos sem essas ocasiões’, afirma Fabbri.

    A avaliação reforça uma percepção crescente dentro da cadeia pecuária: embora o curto prazo ainda seja marcado por pressão de oferta e escalas mais confortáveis nas indústrias, o mercado futuro já tenta antecipar possíveis mudanças no ambiente de demanda ao longo da segunda metade de 2026. Mercado entra em fase decisiva para o segundo semestre

    O momento atual da pecuária brasileira mostra um mercado dividido entre pressão de curto prazo e expectativas mais positivas para os próximos meses.

    Os frigoríficos ainda trabalham com relativa tranquilidade em boa parte das escalas, mas a velocidade da oferta começa a perder força em algumas regiões. Ao mesmo tempo, exportações aquecidas e possíveis reações no consumo interno seguem no radar como fatores capazes de sustentar uma recuperação mais consistente da arroba.

    Para o pecuarista, o cenário exige atenção redobrada. A volatilidade voltou a ganhar força em 2026, e o comportamento do mercado nas próximas semanas deve depender diretamente da combinação entre oferta de animais, ritmo das exportações, consumo doméstico e capacidade de retenção nas fazendas.

    Em outras palavras, o mercado do boi gordo ainda não encontrou um equilíbrio definitivo — e o segundo semestre promete ser decisivo para definir se a recente reação da arroba será apenas pontual ou o início de uma nova fase de recuperação dos preços.

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