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    Home»Destaque»Aposentada descobre que seguro prometido de R$ 1 milhão vale só R$ 70 mil
    Destaque

    Aposentada descobre que seguro prometido de R$ 1 milhão vale só R$ 70 mil

    BarthimanBarthimanjunho 11, 2026
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    Professora aposentada de Campo Grande afirma ter pago durante cerca de um ano um seguro de vida acreditando que teria cobertura próxima de R$ 1 milhão caso enfrentasse uma doença grave. Mas, após receber o diagnóstico de esclerose múltipla, ela diz ter descoberto que a apólice contratada previa apenas R$ 70 mil e ainda impunha restrições para o uso do benefício.

    O caso agora é alvo de ação judicial contra a Prudential do Brasil Seguros de Vida e um corretor que intermediou a contratação. A irmã da aposentada também relata ter enfrentado situação semelhante após adquirir um seguro com o mesmo profissional.

    Segundo a ação, a mulher já possuía um seguro de vida em outra instituição, com cobertura de aproximadamente R$ 231 mil. Em 2025, ela foi procurada por um corretor que apresentou uma proposta considerada mais vantajosa. A promessa, conforme relata, era de uma cobertura próxima de R$ 1 milhão, incluindo proteção para doenças graves e sem período de carência.

    Convencida pela oferta, ela aderiu ao novo produto e passou a pagar mensalidades de R$ 362,44.

    Meses depois, porém, a vida tomou outro rumo. A aposentada recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla remitente-recorrente, doença neurológica autoimune, progressiva e incapacitante, que afeta movimentos, coordenação motora e pode comprometer a autonomia do paciente.

    Foi então que decidiu procurar a seguradora para utilizar a cobertura que acreditava ter contratado. A surpresa veio quando descobriu que as condições do seguro seriam diferentes daquelas que, segundo ela, haviam sido apresentadas durante a venda.

    ‘Ela viu o chão se abrir debaixo dos pés. Além do impacto devastador de receber um diagnóstico tão grave, descobriu que não teria a proteção que acreditava ter garantido justamente para um momento como esse’, afirma a advogada Cristiane Parron Zotelli.

    De acordo com a defesa, a cliente foi informada de que a cobertura para doenças graves estaria sujeita a período de carência e que o valor previsto na apólice era de R$ 70 mil, muito abaixo do montante que acreditava possuir.

    ‘A sensação foi de completo desamparo. Ela contratou o seguro justamente pensando em proteger a si mesma e a família caso enfrentasse uma situação grave de saúde. Quando precisou utilizar essa proteção, encontrou uma realidade completamente diferente’, afirma a advogada.

    A situação levou a aposentada a revisar toda a documentação do contrato. Segundo a ação, foi nesse momento que ela passou a questionar as informações recebidas durante a contratação.

    O caso ganhou novos contornos quando a irmã dela relatou problemas semelhantes envolvendo um seguro vendido pelo mesmo corretor. As duas registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil e passaram a buscar esclarecimentos junto à seguradora.

    Antes de recorrer à Justiça, elas tentaram resolver o impasse administrativamente. Segundo Cristiane, houve uma reunião com representantes da empresa para discutir as divergências apontadas pelas clientes.

    ‘Nossa intenção sempre foi resolver a situação sem processo. As clientes participaram de reunião, apresentaram documentos e buscaram esclarecimentos. A orientação recebida foi para procurar a ouvidoria da empresa, mas a situação permaneceu sem solução’, relata.

    A advogada afirma que as irmãs decidiram procurar a Justiça após não conseguirem uma resposta satisfatória.

    ‘O que buscamos é esclarecer o que efetivamente foi oferecido a essas consumidoras e o que foi contratado. Seguro existe justamente para trazer segurança em momentos difíceis. Quando uma pessoa descobre uma doença grave, ela precisa de amparo, não de novas preocupações’, diz.

    A ação pede que a Justiça reconheça as condições que as clientes afirmam terem sido ofertadas durante a contratação dos seguros, além de indenização por danos morais.

    A reportagem procurou a Prudential do Brasil Seguros de Vida para comentar as alegações apresentadas pelas clientes e aguarda posicionamento.

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