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    Home»Destaque»O peso da baixa produtividade na competitividade do Brasil
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    O peso da baixa produtividade na competitividade do Brasil

    BarthimanBarthimanjunho 22, 2026
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    Dados do FGV Ibre revelam retração na produtividade brasileira no início do ano; no cenário global, Brasil perde fôlego e cai sete colocações em competitividade.

    A baixa produtividade é um desafio crônico da economia brasileira — e os dados mais recentes confirmam que o quadro ainda não dá sinais de melhora. Um levantamento doFGV Ibreaponta queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre do ano, reforçando uma tendência que já preocupa há décadas.

    A competitividade de uma nação vai além dos números: ela expressa a qualidade do ambiente institucional, econômico e estrutural que sustenta — ou limita — a capacidade produtiva e a eficiência dosetor privado. ParaTatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, um dos canais para o aumento da produtividade e da competitividade do país é a força de trabalho, ou seja, a mão de obra qualificada.

    “Vemos quadrojáde trêsdécadascom o agronegócioapresentando crescimento da produtividade, enquanto indústria e serviços seguem estagnados.Tudo isso se sobrepõem ao desempenho do agro e o total é o quadro apontado pelo Ibre.”

    Carlos Honorato, da FIA BusinessSchool, disse à CNN que os gargalos quecomprometem a competitividade brasileiraestão presentes em múltiplas frentes.

    ‘A gente tem uma dificuldade básica na questão da produtividade, que é a formação completa no sentidodaspessoas terem um bom conhecimento de matemática, de português, de linguagem, desde a formação básica até a formação profissional’, explicou.

    Agro avança, indústria e serviços ficam para trás

    Observando o desempenho dos principais setores, o quadro revela uma divisão persistente. Para Tatiana, o problema não é novo: ‘Vemos um quadro já de três décadas com o agronegócio apresentando crescimento da produtividade, enquanto indústria e serviços seguem estagnados. Tudo isso se sobrepõe ao desempenho do agro e o total é o quadro apontado pelo Ibre.’

    Segundo ela, esse desequilíbrio é ainda maior quando se considera que o setor de serviços tem maior peso no PIB — o que faz com que a estagnação do setor arraste o desempenho geral da economia.

    Juros altos, informalidade e outros entraves à produtividade

    A pesquisadora da FGV-EESP destaca ainda que como a taxa básica de juros segue elevada pelo Banco Central, no patamar de 14,25% ao ano, o investimento produtivo é menos incentivado no país. Segundo ela, a ligação também é direta entre custos, produtividade e o debate sobre ofim da escala 6×1.

    ‘O plano deveria ser mais debatido, isso porque o assunto precisa serendereçado e quanto mais consenso melhor.’

    Nessa mesma linha, o professor da FIA Business School citou a alta informalidade nomercado de trabalho brasileirocomo um fator que dificulta a incorporação de mão de obra qualificada e a melhoria da capacidade produtiva, mesmo em setores com indústria de ponta. Obstáculos como logística e carga tributária também foram mencionados como barreiras que limitam o desempenho produtivo do país.

    Brasil cai no ranking enquanto outros países avançam

    O reflexo disso aparece também no cenário competitivo global: o Brasil perdeu sete posições no ranking internacional de competitividade e agora ocupa o 65º lugar entre 70 economias avaliadas — o resultado mais fraco dos últimos anos. O estudo é de 2026 e foi desenvolvido peloIMD WorldCompetitivenessCenterem conjunto com aFundação Dom Cabral.

    Ao analisar os países no topo do ranking — Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos —, Carlos Honorato destacou a visão estratégica de longo prazo como diferencial. Ele observou que países como Suíça e Taiwan apostam fortemente em processos sólidos e na formação de pessoas com alta qualificação.

    Segundo Tatiana Ribeiro, os destaques considerados pelo ranking foram o custo de capital, fragilidade institucional e a qualidade da mão de obra. ‘O grande ponto da queda é a força de trabalho.’ (CNN, 21/6/26)

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