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    Home»Destaque»Terremoto no mercado faz boi gordo cair até R$ 6 em 7 dias; veja o que esperar do mercado em julho
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    Terremoto no mercado faz boi gordo cair até R$ 6 em 7 dias; veja o que esperar do mercado em julho

    BarthimanBarthimanjunho 29, 2026
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    Depois de uma primeira metade de junho marcada por recuperação e preços firmes em praticamente todas as principais praças pecuárias do país, o mercado do boi gordo encerrou a última semana do mês com sinais claros de reversão no movimento de alta. A principal pressão veio justamente de um fator externo que há meses sustentava o mercado brasileiro: a China. Os asiáticos se comportaram como um verdadeiro terremoto no mercado brasileiro da carne bovina.

    O cenário mudou rapidamente nos últimos dias. Frigoríficos exportadores passaram a atuar com mais cautela, reduziram agressividade nas negociações e, em algumas regiões, as cotações começaram a recuar. Em São Paulo, por exemplo, a arroba perdeu R$ 6 em apenas sete dias, acendendo alerta entre pecuaristas e agentes do setor. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp ALERTA: Clima extremo traz chuva de até 400 mm, frio abaixo de 0°C nesta semana; veja previsão Mercado físico perde ritmo e frigoríficos diminuem compras

    Segundo análise da Safras & Mercado, o mercado físico apresentou pouca fluidez nas negociações nesta sexta-feira, com diversas indústrias praticamente ausentes das compras.

    De acordo com o analista Fernando Iglesias, o cenário atual mostra uma posição mais confortável para os frigoríficos. “As escalas de abate apresentam relativo conforto, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional’, destacou Iglesias.

    “As escalas de abate apresentam relativo conforto, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional’, destacou Iglesias.

    Na prática, isso significa que a indústria reduziu a necessidade imediata de compra, tirando pressão altista que vinha sustentando a arroba nas últimas semanas. Efeito-China causa terremoto e volta a pressionar o mercado do boi gordo brasileiro

    O principal fator de preocupação neste momento está no mercado internacional.

    Segundo análises da Scot Consultoria e da Agrifatto, a cota anual chinesa de importação de carne bovina, estimada em 1,1 milhão de toneladas, está muito próxima do limite de preenchimento.

    Isso significa que o mercado começa a trabalhar com a possibilidade de aplicação de tarifas adicionais sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao país asiático.

    Com isso, frigoríficos exportadores passaram a reduzir as compras do chamado “boi-China’, animal que atende exigências sanitárias específicas para exportação.

    Hoje, segundo levantamento da Scot Consultoria: Boi comum em São Paulo: R$ 342/@ Boi-China: R$ 347/@ Ágio atual: R$ 5 por arroba

    Mas esse prêmio já começa a perder força diante da cautela das indústrias exportadoras. Consumo interno fraco agrava pressão nas cotações

    Além da questão externa, o mercado doméstico também contribui para o enfraquecimento da arroba.

    O fim do mês tradicionalmente reduz o poder de compra das famílias brasileiras, diminuindo o ritmo de vendas no varejo e no atacado. Como consequência, frigoríficos encontram maior dificuldade para escoar carne bovina.

    Segundo o analista Felipe Fabbri, da Scot Consultoria: “Após uma primeira quinzena de preços firmes, a arroba perdeu força, com dúvidas pairando no ar e um clima mais gelado entre os agentes nas negociações.’

    “Após uma primeira quinzena de preços firmes, a arroba perdeu força, com dúvidas pairando no ar e um clima mais gelado entre os agentes nas negociações.’

    A própria Agrifatto aponta que consumidores seguem migrando para proteínas mais competitivas, como carne de frango e suína, movimento bastante comum em períodos de menor renda disponível. Veja como fecharam as principais praças pecuárias em meio ao terremoto “China”

    Levantamento da Safras & Mercado mostrou os seguintes preços médios da arroba: São Paulo — R$ 340,42 Mato Grosso — R$ 337,30 Mato Grosso do Sul — R$ 332,05 Goiás — R$ 319,71 Minas Gerais — R$ 317,65

    Apesar da estabilidade em boa parte do país, o mercado já mostra sinais de pressão negativa em algumas regiões estratégicas. Primeira quinzena de julho pode trazer algum alívio

    Nem tudo indica uma tendência prolongada de baixa.

    Analistas avaliam que a entrada dos salários no início de julho pode estimular uma recuperação temporária do consumo doméstico, melhorando o giro da carne bovina no varejo.

    Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, avalia que esse movimento pode devolver algum suporte ao mercado no curtíssimo prazo.

    Já a Scot Consultoria entende que, apesar da pressão atual, não há sinais de uma queda severa como em ciclos anteriores, o que traz um pouco mais de tranquilidade ao pecuarista.

    O mercado agora acompanha dois fatores decisivos: comportamento das exportações para China; reposição do consumo interno na primeira quinzena de julho. O mercado do boi muda de humor e o produtor precisa redobrar atenção com a China

    O fim de junho viveu um verdadeiro terremoto, mas mostra uma mudança importante no sentimento do mercado pecuário brasileiro.

    Depois de semanas sustentadas pela exportação e oferta mais ajustada, o boi gordo começa a sentir os efeitos combinados do enfraquecimento da demanda chinesa, desaceleração do consumo interno e frigoríficos operando com escalas mais confortáveis.

    Para o produtor, o momento exige monitoramento diário das negociações.

    Julho começa trazendo incerteza.

    E, no mercado do boi, algumas vezes uma semana é suficiente para mudar completamente a direção dos preços.

    *Escrito por Compre Rural Notícias

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