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    Home»Destaque»Brasil reduz compra de fertilizantes no exterior e busca alternativas para diminuir dependência
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    Brasil reduz compra de fertilizantes no exterior e busca alternativas para diminuir dependência

    BarthimanBarthimanjulho 9, 2026
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    As importações das principais matérias-primas de fertilizantes recuaram 8,6% do volume importado no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da consultoria StoneX. Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas do insumo, o maior volume da série, de acordo com a Companhia Nacional De Abastecimento (Conab).

    A retração foi puxada por produtos essenciais à nutrição das lavouras. As compras externas de ureia caíram 32% no período, enquanto o MAP (Fosfato Monoâmonico) recuou 24% e o nitrato de amônio  e o enxofre registraram quedas de 42% cada. Na contramão, o cloreto de potássio e o TSP avançou , com a migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP (Fosfato Diamônico) no mercado internacional.

    Segundo a StoneX, o movimento reflete a cautela dos compradores diante das incertezas no cenário internacional e de relações de troca entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, o que tem levado produtores e importadores a postergar negociações. O problema é que a janela logística se estreita: historicamente, a maior parte das compras de fosfatados ocorre entre abril e agosto, para garantir a disponibilidade no plantio da safra de verão, enquanto o pico de aquisição dos nitrogenados se estende de junho a dezembro, com foco na segunda safra.

    O cenário expõe, mais uma vez, uma fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro. O País importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), e é hoje o maior importador mundial do insumo. A conta chega ao campo: os fertilizantes representaram, em média, 23% dos custos totais nas culturas de soja, milho e algodão, segundo a Conab, e no mato Grosso, principal estado produtor de soja, respondem por 46,7% do custeio da oleaginosa na estimativa para a safra 2026/27, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea)

    Diante desse quadro, o agronegócio brasileiro pode estar passando por uma das maiores oportunidades da história no fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes. A produção nacional passa a ganhar relevância estratégica em duas frentes: o Ministério da Agricultura e Pecuária prevê que cerca de 50% da demanda interna de fertilizantes seja atendida pela indústria doméstica até 2050, com movimentos já em curso, como a retomada de fábricas de nitrogenados.

    No curto prazo, o segmento de fertilizantes líquidos, foliares e produtos para fertirrigação já oferece resposta imediata: o setor faturou R$ 26,9 bilhões em 2024, alta de 18,9% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), com destaque para o crescimento de 23,2% dos foliares e de 36,1% dos produtos via fertirrigação e hidroponia.

    Para o engenheiro agrônomo Leonardo Sodré, uma das únicas empresas de fertilizantes de capital 100% nacional. “O agronegócio brasileiro se deparou com um ano de elevada complexidade. O país enfrenta um cenário marcado por adversidades climáticas, custos de produção em alta e um mercado volátil, mas também por oportunidades estratégicas capazes de reposicionar o produtor no centro da economia global”, menciona, ressaltando: “Como protagonista na exportação de commodities como soja, milho e carne, o Brasil entra em um momento decisivo em que planejamento inteligente e ferramentas ágeis de gestão serão fundamentais para transformar riscos em vantagens competitivas”.

    No cenário nacional, o estado de Minas Gerais concentra cerca de 70% das reservas nacionais de potássio, insumo vital para o agro, e abriga a maior mina em operação no Brasil, em São Gotardo. A capacidade produtiva atual, de 3 milhões de toneladas por ano, tem planos de expansão que podem chegar a 23 milhões e, posteriormente, a 50 milhões de toneladas anuais, quase o equivalente ao consumo total do país, hoje em torno de 60 milhões de toneladas.

    O especialista em fertilizantes Fellipe Parreira, afirma que o país precisa de uma abordagem integrada, com mais jazidas nacionais e validação científica para mitigar riscos geopolíticos sem comprometer yields recordes. “É o momento para um planejamento maior no setor, dentro de um contexto de uma indústria nacional de nutrição vegetal que cresce dois dígitos ao ano e oferece ao agricultor alternativas produzidas aqui, com menor exposição cambial e logística mais previsível”, reforça.

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