O acidente aconteceu na MS-180, entre Iguatemi e Japorã
O caminhoneiro Everton Salin Santin, envolvido no acidente que matou um líder indígena e outras seis pessoas da mesma família, se apresentou à polícia neste sábado (15), em Iguatemi. Acompanhado do advogado Higo dos Santos Ferre, ele prestou depoimento e foi liberado.
Segundo a polícia, Everton não foi preso porque não estava em situação de flagrante e não havia mandado de prisão contra ele. A investigação continua, e o delegado responsável pode pedir a prisão preventiva do motorista caso identifique elementos que justifiquem a medida.
O acidente aconteceu na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, na noite de sexta-feira (14). Segundo a polícia, o semirreboque carregado com milho se desprendeu do caminhão e atingiu o carro em que as vítimas estavam.
Em depoimento, Everton disse que passou por Iguatemi entre 19h30 e 20h e seguiu em direção a Japorã. Cerca de 700 metros depois da ponte entre os dois municípios, ele afirmou ter percebido que o caminhão ficou mais leve durante uma subida.
Segundo o motorista, ele seguiu até uma rotatória próxima a uma escola, fez o retorno e voltou em direção a Iguatemi. No caminho, encontrou o semirreboque que havia se desprendido do caminhão.
Ainda conforme o depoimento, havia várias pessoas no local retirando a carga de milho, além de carros parados às margens da rodovia. O caminhoneiro disse que se aproximou de um bombeiro, que teria pedido para que ele retirasse o caminhão do local.
Ele afirmou que não conseguiu explicar que era o responsável pelo semirreboque e levou o caminhão para outro ponto. Segundo o relato, algumas pessoas começaram a bater na porta do veículo, e ele deixou o local por medo.
O motorista contou que retornou para Mundo Novo, deixou o caminhão estacionado em uma rua e foi a pé até um hotel. Ele disse ainda que avisou o proprietário do veículo sobre o ocorrido.
Não prestou socorro
Questionado sobre as vítimas, Everton afirmou que não sabia que havia pessoas mortas no acidente quando esteve no local. Segundo ele, era possível ver apenas o semirreboque tombado e o fogo, mas não o carro atingido.
O caminhoneiro declarou que só soube das mortes na manhã seguinte, após receber mensagens no celular. Ele também afirmou que, depois de perceber que havia perdido o semirreboque, voltou ao local, mas não foi informado sobre as vítimas.
Durante o depoimento, Everton afirmou que o semirreboque se soltou sem que o mecanismo de destravamento fosse acionado e sem causar danos aparentes ao restante do conjunto. Segundo ele, apenas as mangueiras ficaram arrastando no chão.
A polícia informou que adotou medidas para preservar o local do acidente, realizar perícias, remover e identificar as vítimas e reunir informações para esclarecer a dinâmica da batida e verificar eventual responsabilidade criminal.
À polícia, o motorista afirmou que trabalha como caminhoneiro há 14 anos e está na atual empresa há cerca de 15 dias. Segundo ele, não faz uso de álcool, tabaco ou drogas.
O motorista se comprometeu a apresentar à Delegacia de Polícia de Iguatemi o caminhão e o disco do tacógrafo, equipamento que registra informações sobre o deslocamento do veículo.
Dinâmica do acidente
De acordo com informações preliminares do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), o semirreboque teria se desprendido do caminhão durante o trajeto e atingido o carro ocupado pelo grupo, que seguia no sentido contrário.
Com a força da batida, o carro pegou fogo, e todos os ocupantes morreram. Os corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Dourados e transferidos para Naviraí.
As vítimas foram identificadas como Laudiceia Benites, de 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, de 34; Cleonice Honorio dos Santos, de 42; Ileo Benites, de 30; Genilson Euzebio Karay Mirim, de 32; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Luna Benites Santos, de 7 anos. Tadeu e Luna eram filhos de Laudiceia e Tiago.
Segundo o relato apresentado à polícia, o grupo visitava aldeias da região para participar de um intercâmbio. As vítimas haviam passado pela Aldeia Porto Lindo e seguiam para a Aldeia Cerrito, em Eldorado. Com informações do g1 MS.




