Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux enviaram nesse sábado (19) ofícios à Polícia Federal afirmando que não conseguiram acessar o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no contexto das investigações sobre as relações do empresário com autoridades da República.
Nos documentos enviados à corporação, Mendonça e Fux registram que não tiveram acesso a qualquer dado armazenado no aparelho de Vorcaro e que não conseguiram abrir o conteúdo do celular, apreendido pela PF na investigação sobre o Banco Master.
Foto em Londres expõe encontro entre Gonet e banqueiro
Uma das provas obtidas pela PF no telefone de Vorcaro é uma foto de 2024 que mostra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, bebendo uísque e fumando charuto ao lado do banqueiro e do advogado dele, Ciro Soares, em um clube de degustação em Londres.
A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e informou que Gonet estava na Inglaterra para participar de um evento com outras autoridades, ressaltando que o encontro no clube ocorreu durante essa viagem oficial.
Segundo a assessoria de Ciro Soares, o advogado também confirma o encontro registrado na foto, mas nega qualquer irregularidade na relação com o procurador-geral e com o cliente.
Mensagens e ligações aproximam PGR de Vorcaro
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que, em 2025, Ciro Soares enviou ao banqueiro uma foto em que aparecia com Gonet e escreveu: “Liga aqui, ele quer falar com você”, seguida do registro de chamadas de voz.
Dias depois, ainda segundo o material colhido pela PF, o advogado informou ao cliente que o procurador-geral havia mandado mensagens para Vorcaro dizendo que estava com saudade.
Durante manifestação no julgamento sobre o caso, que foi suspenso nesta semana, Gonet afirmou que o único encontro que teve com Daniel Vorcaro foi ‘brevíssimo e banal’, declaração feita em meio à divulgação de fotos, mensagens e registros de chamadas envolvendo os dois.
CNMP avalia abrir investigação contra procurador-geral
Na próxima sexta-feira, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) deve analisar se autoriza a abertura de investigação contra o procurador-geral, com base nesses elementos e em outras atuações relacionadas ao caso Banco Master.
Gonet poderá ser investigado se os conselheiros entenderem que ele agiu de forma incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. A Lei 1.079, que trata das hipóteses de impeachment, considera, no artigo 40, crime de responsabilidade emitir parecer quando o procurador é suspeito na causa.
Relações de Vorcaro com ministros do STF e do TSE
Desde que o escândalo do Banco Master veio à tona, além do procurador-geral, seis dos dez ministros do STF foram citados por relações com Vorcaro nas apurações conduzidas pela PF e por órgãos de controle.
O caso mais recente envolve o ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que, durante o Carnaval do Rio em 2025, Vorcaro reservou uma mansão avaliada em R$ 250 milhões para uso do magistrado.
Além do aluguel, estimado em R$ 1,5 milhão, o pacote teria incluído chef de cozinha, garçom, motorista e bebidas liberadas. O ministro não se manifestou publicamente sobre o episódio, mas o gabinete dele já havia informado que Kassio Nunes nunca trocou mensagens com o banqueiro nem pediu favores ao empresário.
Prisão de Vorcado e próximos passos da investigação
A defesa de Daniel Vorcaro citou a indefinição do Supremo em relação aos desdobramentos do caso para pedir que o dono do Banco Master, preso desde março, responda ao processo em liberdade.
Nos bastidores, a percepção é de que o Supremo dificilmente vai determinar a libertação do banqueiro antes das eleições, justamente pelo alcance das investigações e pela sensibilidade do tema.
No próximo dia 30 de setembro, Daniel Vorcaro e o pai dele, Henrique Vorcaro, estão convocados para prestar um novo depoimento à Polícia Federal, em continuidade às apurações sobre o Banco Master e as relações do grupo com autoridades do alto escalão.
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