A adolescente Ana Vitória Nascimento Santos, de 17 anos, e dois homens morreram durante um confronto com policiais civis na manhã desta quinta-feira (15), em Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu durante a Operação Descarrilho, que investiga a atuação de uma organização criminosa e dois homicídios registrados na região.
Segundo a Polícia Civil, a jovem era suspeita de integrar o Comando Vermelho (CV) e de participar do planejamento da morte do próprio pai, Gilson Santana dos Santos, apontado pelas investigações como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme a apuração policial, Ana Vitória teria inventado uma história de violência sexual atribuída ao pai para provocar uma reação da facção rival contra ele. A investigação, no entanto, não identificou elementos que confirmassem a ocorrência do crime sexual relatado.
Além da adolescente, morreram no confronto João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, e Wermerson Costa Anjos, de 28. Os três eram investigados por suspeita de envolvimento nos assassinatos de Gilson, ocorrido em 29 de setembro, e de Natalício Rodrigues dos Santos, morto em 5 de outubro.
Investigação aponta participação em dois homicídios
De acordo com a Polícia Civil, Ana Vitória seria uma das pessoas envolvidas na articulação das ações atribuídas ao Comando Vermelho na região. A jovem também era suspeita de ocupar uma posição de influência nas decisões do grupo criminoso.
João Lucas, conhecido como Juquinha, possuía registros policiais anteriores. Em 2023, foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica. No ano seguinte, também foi preso em flagrante por homicídio em Mato Grosso.
Já Wermerson, conhecido como Tio Baby, tinha registros relacionados a suspeitas de envolvimento com organização criminosa, sequestro, cárcere privado e ameaça. Em uma ocorrência de agosto de 2025, ele foi apontado como suspeito de integrar o setor de disciplina do Comando Vermelho.
Segundo o registro policial, Wermerson teria participado de um episódio conhecido como “tribunal do crime”, no qual uma pessoa teria sido mantida em cárcere sob ameaça, aguardando decisões de integrantes da facção sobre possíveis castigos físicos relacionados a uma suposta dívida de drogas.
Confronto ocorreu durante cumprimento de mandado
A ação policial começou por volta das 6h desta quinta-feira, quando equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Garras) chegaram a um imóvel na Rua Batayporã, no bairro São Vicente de Paulo, para cumprir um mandado judicial.
Conforme o boletim de ocorrência, Wermerson estava armado com uma pistola calibre 9 milímetros. Ainda segundo a versão policial, ele teria recebido ordem para largar a arma, mas não obedeceu e apontou o armamento na direção dos agentes, que reagiram.
Durante as buscas nos demais cômodos da residência, os policiais encontraram João Lucas e Ana Vitória em um dos quartos, também com armas de fogo. De acordo com o registro, os dois teriam apontado as armas contra os agentes, que efetuaram novos disparos.
Os três suspeitos foram atingidos. Ainda conforme a ocorrência, eles apresentavam sinais vitais após os disparos, receberam os primeiros socorros e foram encaminhados ao hospital, mas não resistiram aos ferimentos.
A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia no imóvel e auxiliar na apuração das circunstâncias do confronto.
Operação cumpre mandados em três municípios
A Operação Descarrilho tem como objetivo investigar a atuação de uma organização criminosa e esclarecer a possível participação de integrantes do Comando Vermelho nos homicídios registrados em Batayporã.
A ofensiva prevê o cumprimento de seis mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios de Batayporã, Nova Andradina e Bataguassu.
Durante a ação, os policiais apreenderam três armas de fogo: uma pistola Taurus G2C, calibre 9 milímetros; um revólver Smith & Wesson, calibre .32; e um revólver Taurus, calibre .38.
Também foram recolhidas 22 munições, sendo uma deflagrada, além de uma motocicleta que, segundo os investigadores, pode ter sido utilizada no assassinato de Gilson Santana dos Santos.
O veículo será submetido à análise para auxiliar no avanço das investigações.
Forças policiais participam da ação
A operação reúne equipes de diferentes unidades da Polícia Civil, incluindo o Garras, a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e equipes de investigação de Nova Andradina e Bataguassu.
Policiais militares e uma equipe de apoio aéreo também participaram da ofensiva.
Até a divulgação das informações, a Polícia Civil não havia informado o número de prisões realizadas durante a operação.
As investigações continuam para esclarecer os dois homicídios e individualizar a participação dos suspeitos nos crimes.
Bata News — Informação com responsabilidade.





