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    Home»Destaque»A agonia da Sete Brasil, uma das piores estatais criadas por Lula
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    A agonia da Sete Brasil, uma das piores estatais criadas por Lula

    BarthimanBarthimanfevereiro 18, 2025
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    Após quase uma década em recuperação judicial, a Sete Brasil, anteriormente considerada a joia da coroa das ambições industriais do Brasil, finalmente sucumbiu ao inevitável:  a Justiça do Rio de Janeiro decretou, em dezembro, a falência da empresa. Esse foi o golpe final para um projeto nascido de sonhos, mas afogado em corrupção e má gestão. Com dívidas que hoje ultrapassam os R$ 36 bilhões, o insucesso da empresa surge como um lembrete contundente dos perigos da intervenção estatal nos negócios, especialmente quando guiada por aspirações políticas e não por realidades econômicas.

    A empresa recorreu da decisão, mas o mérito da questão ainda não foi julgado, pois estava aguardando as contrarrazões do administrador, a Licks Associados, que foram protocoladas no dia 12 de fevereiro. A Licks Associados defende a falência da empresa, afirmando que sua manutenção interessa apenas “àqueles que cometeram os crimes de corrupção, pois, em caso de falência, a administração judicial terá o dever de apurar os crimes cometidos”.

    A queda da Sete Brasil é emblemática de uma era de políticas industriais equivocadas promovidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato, entre 2007 e 2010. No auge da euforia nacional com a descoberta de vastas reservas de petróleo no pré-sal, Lula buscou elevar a Petrobras e, por extensão, o Brasil ao topo da produção global de energia. A criação da Sete Brasil, em 2010, como fornecedora exclusiva de sondas de perfuração para o pré-sal, simbolizava essa ambição. Contudo, essa grandiosa visão rapidamente se desfez, à medida que a empresa se afundava no maior escândalo de corrupção já registrado no Brasil, revelado pelas investigações da Operação Lava Jato.

    O plano previa a construção de 28 sondas ultra-profundas—navios imensos que perfurariam o fundo do mar para extrair o cobiçado petróleo do pré-sal. O custo? Algo em torno de US$ 25 bilhões—aproximadamente metade do orçamento total da Petrobras na época. Os riscos eram enormes, mas Lula acreditava que as recompensas justificavam o investimento.

    No entanto, a realidade seguiu outro caminho. Ao longo dos anos, apenas quatro das sondas encomendadas foram entregues, e a Sete Brasil logo se viu imersa em acusações de corrupção sistêmica. Executivos de alto escalão tanto da Petrobras quanto da Sete Brasil, incluindo João Carlos Ferraz e Pedro Barusco, foram implicados em um esquema de propinas que desviava recursos dos contratos com estaleiros para os cofres do Partido dos Trabalhadores (PT) e contas offshore pessoais.

    Ferraz, ex-presidente da Sete Brasil, admitiu ter recebido milhões de dólares em propinas dos estaleiros contratados, em práticas que replicavam as ocorridas na Petrobras. Segundo seu depoimento, 0,9% de cada contrato com os estaleiros era destinado a pagamentos ilícitos, com dois terços desse valor indo para os oficiais do PT, incluindo João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido. O restante era dividido entre executivos da Petrobras e da Sete Brasil, perpetuando uma cultura de corrupção que corroía ambas as empresas.

    Em 2016, a empresa pediu recuperação judicial com uma dívida estimada em cerca de R$ 19 bilhões—número que hoje praticamente dobrou. Os esforços de recuperação, marcados por batalhas jurídicas e negociações fracassadas, apenas atrasam o desfecho.

     

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