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    A nova era da insulina chega ao SUS e a milhões de brasileiros

    BarthimanBarthimanjulho 16, 2026
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    Uma mudança silenciosa, mas decisiva, está em curso no tratamento do diabetes pelo Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde começou, em julho, a nacionalização da insulina glargina — versão de ação prolongada que promete mais segurança e praticidade para os pacientes — e apresentou os detalhes da estratégia durante o 39º Congresso Nacional do Conasems, em Porto Alegre, nesta semana.

    Mas por que a mudança agora? A urgência tem nome e motivo: desabastecimento. Só que há males que vêm para o bem.

    A insulina NPH, usada atualmente por cerca de 90% dos pacientes com diabetes do SUS, enfrenta um cenário de escassez global por parte dos fabricantes. Diante disso, o governo decidiu acelerar o acesso à insulina glargina em escala nacional, algo que só se tornou viável graças a uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) — instrumento que une instituições públicas e empresas privadas para fabricar, dentro do país, tecnologias consideradas estratégicas para o SUS.

    A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério explicou que essa janela de oportunidade permitiu conduzir a migração de forma previsível, sem deixar nenhum paciente sem o medicamento — e, ao mesmo tempo, elevando a qualidade do tratamento oferecido.

    Quem será contemplado

    A transição não é para todos de uma vez. Ela começou de forma escalonada, priorizando dois grupos: crianças e adolescentes de 2 a 18 anos com diabetes tipo 1, e pessoas com 70 anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

    A divisão por faixa etária foi proposital, justamente para permitir uma migração gradual: à medida que esses grupos tiverem acesso garantido, o público-alvo será ampliado.

    Antes de expandir a iniciativa, o Ministério rodou um projeto-piloto a partir de março deste ano no Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná, voltado a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais (tipos 1 e 2). O teste em condições reais de atendimento serviu para identificar gargalos logísticos e ajustar o processo antes da adoção em escala nacional.

    Capacitação e logística

    A implementação não se resume à entrega do medicamento. O Ministério estruturou um grupo de trabalho específico e investiu em capacitação das equipes de Atenção Primária à Saúde e de Assistência Farmacêutica — foram cerca de 130 oficinas realizadas em parceria com o Conasems, além de materiais técnicos de apoio.

    O envio da insulina aos estados e municípios segue o planejamento e as solicitações periódicas das secretarias estaduais e municipais; depois de recebida em cada região, ela passa a ficar disponível nas farmácias da Atenção Primária, como as das Unidades Básicas de Saúde, conforme a organização de cada município.

    O que muda na prática para o paciente

    A troca da NPH pela glargina traz benefícios clínicos relevantes. A glargina oferece cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes — o dobro do tempo de ação da NPH em muitos casos — e reduz o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente durante a noite, um dos momentos mais temidos por quem convive com diabetes e necessita de insulina.

    Ela também proporciona menor oscilação nos níveis de glicose no sangue e não exige agitação antes da aplicação, ao contrário da NPH, tornando a rotina de aplicação mais simples e previsível. O ganho de peso também costuma ser menor com a insulina glargina.

    Se você tem um filho, neto, pai ou avó em tratamento com insulina pelo SUS, vale a pena ficar atento aos próximos meses — e avisar quem estiver nessa situação. A transição para a glargina começa pelos extremos da vida, crianças com diabetes tipo 1 e idosos a partir de 70 anos, e será ampliada aos poucos conforme o abastecimento avança.

    Conversar com a Unidade Básica de Saúde da família, confirmar se o paciente já se enquadra no novo grupo prioritário e entender as diferenças no uso do medicamento pode evitar sustos e garantir que ninguém fique sem o tratamento correto durante a mudança.

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