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    Alta na importação de máquina agrícola e rodoviária preocupa setor

    BarthimanBarthimanabril 16, 2026
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    A safra brasileira de grãos entrou em um processo ascendente na última década, batendorecorde sobre recorde, e com poucos períodos de queda devido a clima. Essa velocidade de crescimento, no entanto, não ocorre nas vendas de máquinas agrícolas no país. Nos primeiros três meses deste ano, as vendas internas no varejo somaram apenas 9.800 unidades, 13,1% abaixo do patamar de janeiro a março de 2025.

    A indústria vê essa desaceleração com preocupação, mas o que mais preocupa o setor no momento é a velocidade registrada pelas importações. Em 2025, entraram 11 mil máquinas agrícolas estrangeiras no Brasil, 17% a mais do que em 2024.

    No início deste ano, a compra externa continua acelerada, e os números indicam uma evolução de 48,4% nas importações de janeiro a março ante igual período de 2025. China e Índia são as principais fornecedoras. No primeiro trimestre deste ano, as importações de máquinas agrícolas oriundas da China aumentaram 192%. Durante todo o ano de 2025, em relação a 2024, já haviam subido 86%.

    ‘Nossa preocupação é com o avanço dessas importações sem lastro na produção nacional, sem cadeias de fornecimento e sem lastro em pesquisa de desenvolvimento no país’, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

    Além dessa pressão do mercado externo nas importações de máquinas agrícolas e rodoviárias, que afetam a indústria, a política monetária brasileira, principalmente a dejuros elevados,tem dificultado os investimentos dos produtores brasileiros e de empresas que compram máquinas rodoviárias.

    Um dos reflexos da política macroeconômica é que 38% dos que compraram máquinas rodoviárias no ano passado utilizaram capital próprio, acima dos 33% de 2024. Ou seja, as empresas que ainda têm fôlego de capital são as que conseguem movimentar o mercado de máquinas rodoviárias, segundo Calvet.

    O presidente da Anfavea diz que há uma concentração de importações em dois países: China e Índia. Juntas responderam por 85% das importações, sobretudo de rolos compressores e de pás carregadeiras. A entidade não é contra as importações, mas é preciso uma igualdade de condições, segundo Calvet.

    Quando colocadas três variáveis importantes na competitividade na produção de um trator de baixa potência —mão de obra, aço e escala—, o Brasil é 22% menos competitivo do que os chineses e 21% menos do que os indianos. ‘E tudo isso [essa competitividade] está fora das nossas empresas’, afirma o presidente.

    O crescimento das importações e a competitividade menor se somam à grande volatilidade do mundo, trazida por pandemia e guerras como as da Ucrânia e doIrã. Tudo isso reflete nospreços do petróleo,dos fertilizantes e se converte em custos para os produtores. Estes já têm a renda reduzida por queda de preços das commodities e dificuldades de créditos, devido aos juros. ‘É um ano difícil e de muitas incertezas, e que, aos poucos, vai também influenciando o ano de 2027’, afirma Calvet.

    A indústria projeta uma queda de 5,6% nas vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias e retração de 11,2% nas exportações neste ano. O agronegócio e a indústria estão extremamente vinculados, e qualquer estratégia de competitividade do agro passa pela indústria, e qualquer estratégia da indústria passa pelo agro, diz ele. ‘Você não consegue fazer só um programa de competitividade do agro sem envolver a indústria’.

    Para Jorge Görgen, vice-presidente da Anfavea, os impactos de mercado, como o da guerra do Irã, fazem o produtor ficar mais reticente em investir. Há uma dificuldade maior para prever o amanhã. Já Alexandre Bernardes de Miranda, também vice-presidente da entidade, afirma que o momento é de uma tempestade quase perfeita, inclusive com guerra.

    A Anfavea consolidou os números do setor de 2025. Foram vendidas 86,8 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, e a estimativa para este ano é de comercialização de 82 mil no varejo. Já as exportações devem cair para 20,8 mil unidades, abaixo das 23,4 mil de 2025.

    As vendas de máquinas rodoviárias caíram 0,4% no ano passado, para 37 mil unidades. As agrícolas recuaram para 49,8 mil, 3,6% a menos. No setor de tratores, os de pequeno porte registraram vendas maiores, mas os de grande porte recuaram. A comercialização de colheitadeiras caiu para apenas 3.300 unidades no varejo, 22,1% a menos do que em 2024 e 51% de queda em relação a 2023 (Folha, 16/4/26)

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