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    Home»Destaque»André Mendonça afasta diretor da PF usando precedentes de Moraes
    Destaque

    André Mendonça afasta diretor da PF usando precedentes de Moraes

    BarthimanBarthimansetembro 9, 2026
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    O ministro André Mendonça fundamentou sua decisão de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em precedentes jurídicos do STF estabelecidos pelo ministro Alexandre de Moraes.

    Mendonça citou a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem em 2020 por Moraes. A AGU acionou o ministro Edson Fachin para levar o caso ao Plenário.

    O caso reacende discussões sobre o acúmulo de funções de investigar e julgar no STF. Críticos alertam que improvisações jurídicas geram insegurança ao sistema.

    A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, tem como base argumentos e entendimentos jurídicos que ganharam força no Supremo Tribunal Federal nos últimos anos, muitos deles defendidos pelo ministro Alexandre de Moraes durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Um dos principais exemplos é a referência feita por Mendonça ao caso de 2020 em que Moraes suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF. Na ocasião, o ministro considerou haver indícios de desvio de finalidade na escolha feita por Bolsonaro e decidiu intervir, apesar de a indicação do diretor-geral ser uma prerrogativa presidencial.

    Agora, Mendonça adota raciocínio semelhante para justificar o afastamento de Andrei Rodrigues.

    A decisão também retoma a discussão sobre qual instância do STF deve analisar casos de grande repercussão. A Advocacia-Geral da União acionou o ministro Edson Fachin para defender que o caso seja levado ao Plenário, formado pelos 11 ministros da Corte, e não permaneça em uma das Turmas.

    O argumento remete a mudanças de entendimento adotadas pelo Supremo em diferentes momentos, do mensalão à Lava Jato e aos processos envolvendo Bolsonaro.

    Outro debate retomado é o da atuação de ministros em investigações posteriormente julgadas pela própria Corte. A discussão surgiu com o inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes desde 2019, e voltou à tona após o uso de relatórios produzidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em investigações conduzidas pelo ministro.

    Críticos apontam uma sobreposição entre as funções de investigar e julgar, questionamento semelhante ao que também foi feito em relação à atuação do então juiz Sergio Moro na Lava Jato.

    O que se observa agora é que interpretações e soluções jurídicas criadas em momentos específicos da vida política brasileira continuam sendo utilizadas em novos cenários. Para críticos desse processo, o problema é que inovações adotadas para responder a determinadas conjunturas acabam gerando insegurança jurídica quando passam a servir de precedente em situações distintas.

    Segundo essa avaliação, decisões judiciais devem seguir os parâmetros previstos em lei e evitar improvisações, “gambiarras” ou inovação, justamente para preservar a previsibilidade e a estabilidade do sistema jurídico.

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