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    Home»Destaque»Área tratada com bioinsumos cresce 28% e chega a 194 milhões de hectares
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    Área tratada com bioinsumos cresce 28% e chega a 194 milhões de hectares

    BarthimanBarthimanmaio 18, 2026
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    A escalada dos preços dos fertilizantes, pressionada por conflitos geopolíticos e pela dependência brasileira de insumos importados, abriu espaço para uma expansão acelerada do mercado de bioinsumos no país. Utilizados para substituir ou complementar defensivos químicos e fertilizantes sintéticos, os produtos biológicos ganharam protagonismo nas estratégias de manejo adotadas pelos produtores rurais diante da volatilidade do mercado internacional.

    Engenheiro agrônomo Fellipe Parreira: “Os bioinsumos têm se mostrado aliados estratégicos na construção de uma agricultura mais equilibrada e menos dependente de produtos sintéticos” – Foto: Divulgação

    Levantamento da consultoria Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), com base em dados da CropLife Brasil e da ANPII Bio, aponta que o setor já movimenta entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões no Brasil, representando aproximadamente 10% do mercado nacional de proteção de cultivos.

    O crescimento ocorre em um cenário de forte dependência externa. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, o país importa entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados na agricultura. Essa vulnerabilidade ficou mais evidente após as rupturas logísticas e comerciais provocadas pelos conflitos internacionais dos últimos anos, especialmente em importantes regiões produtoras de matérias-primas agrícolas.

    Para o engenheiro agrônomo Fellipe Parreira, os bioinsumos deixaram de ser uma alternativa restrita a nichos específicos e passaram a ocupar espaço estratégico dentro do sistema produtivo. “Os bioinsumos têm se mostrado aliados estratégicos na construção de uma agricultura mais equilibrada e menos dependente de produtos sintéticos. A rápida expansão mostra que o setor agropecuário busca unir produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental”, afirma.

    Os números mais recentes mostram um avanço consistente do segmento. O mercado brasileiro de bioinsumos atingiu R$ 6,2 bilhões em 2025, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, o maior desde o início da série histórica, em 2022.

    No mesmo período, a área tratada com produtos biológicos cresceu 28%, alcançando 194 milhões de hectares. O movimento reflete não apenas o aumento da demanda, mas também uma mudança no perfil tecnológico das propriedades rurais, que passaram a integrar bioinsumos e defensivos químicos dentro de programas mais amplos de manejo.

    Entre os fatores que impulsionam o setor estão a profissionalização da indústria, o avanço das formulações biológicas, a ampliação do manejo integrado de pragas e doenças resistentes e o aumento da adesão entre agricultores de diferentes escalas produtivas.

    As projeções para 2026 indicam manutenção do ritmo de expansão. Empresas associadas à ANPII Bio estimam crescimento de 17% no consumo de bioinsumos no Brasil. Já a Embrapa calcula taxas anuais de crescimento entre 15% e 20%, com potencial para o mercado superar R$ 9 bilhões nos próximos anos.

    O Brasil já responde por algo entre 15% e 18% do mercado global de bioinsumos e concentra cerca de metade das movimentações da América Latina, consolidando posição entre os principais polos mundiais do setor.

    Entre as tecnologias que mais ganham espaço no campo estão os inoculantes voltados à fixação biológica de nitrogênio, especialmente na cultura da soja. A tecnologia reduz a necessidade de aplicação de nitrogênio sintético e melhora o aproveitamento nutricional das plantas.

    Segundo Parreira, os inoculantes passaram a ser uma ferramenta central para a competitividade da soja brasileira. “A Fixação Biológica de Nitrogênio é um dos pilares da eficiência da soja. Com uma inoculação bem feita, a planta acessa o nitrogênio atmosférico de forma natural, desenvolve um sistema radicular mais robusto e ganha maior estabilidade produtiva, fornecendo o nutriente de maior demanda pela cultura da soja”, destaca.

    Além da redução de custos, o avanço dos inoculantes também atende à pressão crescente por sistemas produtivos com menor impacto ambiental e menor dependência de fertilizantes nitrogenados importados.

     

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