Ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza mataram pelo menos 20 pessoas e deixaram mais de 80 feridos neste sábado (22), segundo autoridades de saúde locais. As ações militares reacendem a tensão em torno do acordo de cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro.
Em comunicado, o Hamas cobrou intervenção urgente dos mediadores e pressionou os Estados Unidos para garantir a execução do pacto. O grupo acusa Israel de promover “violações sistemáticas” que já teriam provocado centenas de mortes e alterado linhas de retirada combinadas previamente.
Testemunhas e equipes de resgate relataram que os bombardeios atingiram um veículo no bairro de Rimal, além de residências em Deir Al-Balah e no campo de refugiados de Nuseirat.
O Exército israelense justificou a ofensiva alegando que um homem armado teria usado uma rota humanitária para acessar área sob controle israelense, ato considerado pelos militares uma quebra direta do acordo. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou ter pedido aos mediadores que pressionem o Hamas a cumprir suas obrigações, incluindo a devolução de reféns mortos e o avanço no processo de desarmamento.
Um representante do Hamas negou a acusação sobre o atirador, chamando a justificativa de “desculpa para matar”. O grupo afirma rejeitar qualquer tentativa de Israel de impor mudanças ao pacto e exige que Washington honre seus compromissos para evitar o colapso da trégua.
O cessar-fogo, que pôs fim a dois anos de conflito na região, vem sofrendo sucessivas acusações de descumprimento nas últimas seis semanas, colocando em risco a estabilidade mínima que permitiu o retorno de milhares de palestinos a áreas de Gaza.




