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    Boi gordo: tarifa de Trump acentua queda de preço no mercado físico

    BarthimanBarthimanjulho 25, 2025
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    O cenário delimitado no mercado físico do boi gordo no início de julho já apontava para queda dos preços, no entanto, esse movimento perdia intensidade, respeitando o piso dos R$ 300 por arroba (@) no físico paulista como grande ponto de suporte. O aumento das tarifas imposta pelos Estados Unidos (50% sobre todos os produtos brasileiros), que reduziu substancialmente a competitividade brasileira no mercado internacional resultou em intensificação do movimento de queda – o piso de R$ 300/@ no físico e no mercado futuro foi perdido, com os preços alcançando as mínimas no ano.

    O cenário para os pecuaristas é desafiador, ilustrando com clareza a necessidade de adoção de ferramentas modernas de gestão de risco. O hedge deixa de ser opcional diante de um mercado cada vez mais dinâmico. O fato é que o mercado futuro ofereceu ótimas oportunidades de travamento ao longo do ano, em especial no mês de abril, quando o vencimento outubro superou a marca de R$ 350/@.

    No mercado físico, o movimento de queda durante a semana passada aconteceu de maneira acelerada e generalizada, com movimento contundente de queda em todo o país. Estados como São Paulo, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentaram importante recuo das cotações, como ilustrado no gráfico abaixo. A boa disponibilidade de animais terminados em regime intensivo dificulta a retenção por parte do pecuarista, além disso, se evidencia novamente boa participação das fêmeas no abate, característica marcante da atual temporada.

    Sob o prisma da indústria os prejuízos em relação ao embargo são relevantes, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), são aproximadamente 30 mil toneladas já processadas e preparadas para o embarque que estão paradas, os contratos estão em risco de não serem cumpridos, em termos de receita as perdas podem representar em torno de US$ 160 milhões.

    A indústria segue buscando alternativas para redirecionar esse produto para outros destinos, o que não é necessariamente simples, diante das especificações exigidas pelos norte-americanos, de qualquer forma o país busca ampliar suas vendas para a Ásia em meio à crise na relação comercial entre Estados Unidos e Brasil. O quadro de momento aponta para o recrudescimento da tensão entre os países, considerando os recentes eventos políticos. A dissonância política entre os países fica evidente a cada declaração. Desta forma parece improvável que haja uma remoção das tarifas.

    As tentativas de incluir determinados produtos em uma lista de exceções segue em curso, com negociações encabeçadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças industriais. Produtos como café, carne bovina e suco de laranja podem ser beneficiados nesse movimento, no entanto, esse acordo fica mais improvável com os eventos recentes.

    Para o mercado do boi gordo o quadro traçado, ao menos no curtíssimo prazo, é de continuidade do movimento de queda, com o provável ponto de mínima em São Paulo ao nível de R$ 285/@. O mercado vai assimilar as mudanças em torno das exportações. O que também acelerou o movimento foi o cenário traçado para o atacado, com importante queda dos preços em todos os cortes, com osso e sem osso.

    Para o último quadrimestre o mais provável é que haja recuperação dos preços da arroba do boi gordo, considerando dois elementos básicos nessa análise. O primeiro é o auge da demanda no mercado doméstico, com maior circulação de dinheiro com o décimo terceiro salário, criação de postos temporários de emprego, demais bonificações e confraternizações. O segundo aspecto está na perspectiva de abertura de novos mercados, e manutenção de um forte ritmo de embarques.

    De qualquer forma, a perspectiva de altas mais agressivas da arroba do boi gordo parece improváveis no atual ambiente. Para o pecuarista, o ano corrente deixa a lição que proteger ao menos uma parcela das arrobas que serão entregues é imprescindível para conseguir boas margens e ter longevidade dentro de um mercado cada vez mais exigente.

    *Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)

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