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    Brasil bate recorde de doadores de órgãos, mas recusa familiar ainda entrava transplantes

    BarthimanBarthimanmaio 7, 2026
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    O Brasil registrou em 2025 o maior número de doadores de órgãos efetivos de sua história, com 4.335 pessoas tendo transplantado ao menos um órgão, o equivalente a 20,3 por milhão de população (pmp). Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes e foram publicados nesta quarta-feira (6) pela ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos).

    O número de notificações de potenciais doadores também atingiu novo recorde, com 15.940 notificações.

    O rim continua sendo o órgão mais transplantado no país. Em 2025, foram 6.697 cirurgias, marca inédita, com crescimento de 5,9% em relação a 2024. Os transplantes de fígado também atingiram recorde, com 2.573 procedimentos, alta de 4,8% ante o ano anterior. Em ambos os casos o aumento foi puxado pelos transplantes com doador morto.

    ‘No caso do transplante renal, esse crescimento superou o aumento da taxa de doadores efetivos, sugerindo melhor aproveitamento dos rins disponíveis no país’, aponta o relatório.

    Apesar dos avanços, os altos índices de recusa familiar e as disparidades regionais permanecem como dificuldades centrais. A redução do número de doadores pediátricos também preocupa a ABTO.

    A recusa familiar é o principal entrave à efetivação das doações —as famílias de potenciais doadores recusaram a doação em 45% dos casos. A contraindicação médica respondeu por 19% das perdas.

    Segundo a ABTO, esses obstáculos devem ser enfrentados pelo ‘aprimoramento do acolhimento familiar e da flexibilização dos critérios de aceitação dos doadores limítrofes pelas equipes mais experientes’.

    A lista de espera continua crescendo. Em dezembro de 2025 havia 73.877 pacientes ativos aguardando um órgão, alta de 12% em relação ao registrado em 2024. Ao longo do ano, 4.102 pessoas morreram enquanto aguardavam um órgão, aumento de 9% em relação às mortes registradas em 2024.

    Quanto aos transplantes pediátricos, foram realizados 586 procedimentos em 2025, leve aumento frente aos 555 de 2024, e 50 crianças morreram enquanto aguardavam um órgão. O número de doadores pediátricos segue em queda —caiu de 274, em 2023, para 211 em 2025.

    ‘Os dados apontam para um cenário de relativa estagnação dos transplantes pediátricos no Brasil, com números que permanecem abaixo do necessário para atender à demanda real’, diz o relatório.

    Entre os principais entraves os profissionais destacam a dificuldade de acesso das crianças aos centros transplantadores —encaminhamento tardio, concentração dos serviços em poucas regiões do país e barreiras logísticas e socioeconômicas.

    A disparidade regional aparece também nos transplantes entre adultos. A região Sul concentrou a maior taxa de doadores efetivos, 34,8 pmp, enquanto a região Norte registrou apenas 8,5 pmp. Estados como Santa Catarina (42,8 pmp) e Paraná (38,9 pmp) lideram o ranking nacional, ao passo que Roraima e Amapá não tiveram nenhum doador efetivo em 2025.

    A taxa de efetivação das doações em relação ao número de notificações ficou em 27,2% no país, valor considerado baixo pelo relatório.

    Além disso, nem todos os órgãos acompanharam a tendência positiva dos transplantes renais e hepáticos. Os transplantes cardíacos, que vinham em trajetória de crescimento desde 2020, caíram 4,3%, com 427 procedimentos, retornando à taxa de 2 pmp. Pulmão e pâncreas também continuaram abaixo dos patamares pré-pandemia: foram 96 transplantes pulmonares e 142 pancreáticos, números ainda inferiores aos de 2018 e 2019. O relatório aponta a escassez de mão de obra qualificada em regiões mais afastadas como fator limitante para esses procedimentos.

    No cenário internacional, o Brasil mantém a quarta posição em número absoluto de transplantes renais e hepáticos entre 35 países, segundo dados do IRODaT (International Registry in Organ Donation and Transplantation) referentes a 2024. Em termos proporcionais, porém, o país ocupa a 25ª posição em número de doadores efetivos por milhão de população entre 45 nações, o que evidencia o potencial ainda inexplorado do sistema.

    ‘Sem estratégias efetivas para ampliar e descentralizar a oferta de transplantes, fortalecer a rede de encaminhamento e estimular a doação de órgãos, o Brasil continuará enfrentando um cenário preocupante’, alerta o documento.

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