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    Home»Destaque»Bullying e cyberbullying no Brasil: registros crescem 67% em 2025
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    Bullying e cyberbullying no Brasil: registros crescem 67% em 2025

    BarthimanBarthimanjulho 23, 2026
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    Os registros de bullying e cyberbullying contra jovens cresceram 67,3% em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23). Foram 5.226 ocorrências.

    O salto reflete a assimilação da lei de 2024 pela sociedade. Os casos se concentram a partir de 10 anos de idade.

    Boletins mostram apenas uma fração do problema. Pesquisa do IBGE aponta que 4 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying.

    Em termos absolutos, as queixas de bullying subiram para 4.549 casos, enquanto as notificações de cyberbullying somaram 677 registros, com pico de incidência aos 14 anos.

    Os registros policiais de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram 67,3% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23).

    Foram 5.226 ocorrências somando as duas práticas envolvendo vítimas de 0 a 17 anos no ano passado, ante 3.161 em 2024. Foi o maior crescimento entre todos os indicadores de violência contra crianças e adolescentes analisados pela publicação.

    Os dois crimes passaram a existir formalmente no Código Penal em 2024, com a Lei nº 14.811/2024, que tipificou a “intimidação sistemática” (bullying) e a “intimidação sistemática virtual” (cyberbullying).

    Apesar do crescimento nos registros policiais, o Anuário destaca que eles captam apenas uma fração do problema.

    Segundo Cauê Martins, sociólogo e pesquisador no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, parte do salto reflete a assimilação da nova lei pelos sistemas de registro e pela sociedade, e não somente um aumento da violência. Segundo o pesquisador, os boletins de ocorrência tendem a refletir apenas os casos mais graves ou persistentes, que extrapolam a capacidade de resposta das escolas.

    Martins compara os números policiais com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, mostram que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying na escola — um universo muito maior que as pouco mais de cinco mil ocorrências registradas pelas polícias em 2025.

    “A gente percebe como ainda é uma parcela mais restrita dos casos que chega à polícia. A tendência é que nos próximos anos isso os registros de bullying e cyberbullying continuem a crescer por serem tipos penais novos, então tanto as próprias políticas estão se adaptando a esse novo registro, quanto a população brasileira, que ainda está entendendo o fenômeno”, analisa Martins.

    Separados por tipo de intimidação, o crescimento também ficou acima de 60% nos dois casos: os registros de bullying subiram 68,2%, de 2.736 para 4.549 ocorrências, e os de cyberbullying avançaram 61,4%, de 425 para 677 . Juntos, os crimes somaram uma taxa de 11,7 registros por 100 mil crianças e adolescentes em 2025, contra 7,0 no ano anterior.

    O avanço dos registros também varia entre os estados. São Paulo, por exemplo, mais que dobrou o número de casos de bullying entre crianças e adolescentes (de 599 para 1.396, alta de 135,9%) e de cyberbullying (de 69 para 145, alta de 112,7%).

    Estados que partiam de bases muito pequenas em 2024, como Maranhão e Mato Grosso do Sul, registraram os maiores saltos proporcionais — o que, segundo o Fórum, reforça a hipótese de que a expansão decorre, em parte, da consolidação dos novos sistemas de notificação.

    Os dados mostram ainda que a violência entre pares se concentra a partir dos 10 anos de idade. As maiores taxas de bullying aparecem entre crianças de 10 a 13 anos (21,0 por 100 mil) e adolescentes de 14 a 17 anos (19,9 por 100 mil). Já o cyberbullying atinge seu pico um pouco mais tarde, aos 14 anos, acompanhando a maior presença de adolescentes nas redes sociais.

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