A poucos meses da eleição, o clima político em Mato Grosso do Sul já dá sinais de que será marcado por embates duros e polarização. A mais recente troca de farpas envolve a senadora Soraya Thronicke (Podemos) e o deputado federal Marcos Pollon (PL), que iniciaram uma verdadeira guerra nas redes sociais após um comentário sobre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Tudo começou quando Soraya ironizou um post que criticava Michelle por ter permanecido apenas 40 minutos durante uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre imposições judiciais. O comentário sugeria falta de dedicação da ex-primeira-dama ao marido. A senadora, em tom sarcástico, afirmou que Michelle poderia ter “tomado por engano a pregabalina com sertralina” que Bolsonaro alegou usar ao tentar justificar um surto para romper a tornozeleira eletrônica.
“Lugar de mulher não é onde ela quiser? Ela tem esse direito. Ela é feminista, gente. Deixem-na em paz”, escreveu Soraya, ironizando também falas anteriores de Michelle sobre “submissão saudável” e “ajudadora do esposo”.
A fala foi suficiente para provocar forte reação de Pollon, aliado histórico do bolsonarismo e que já havia convidado Soraya, anos atrás, para ser madrinha de casamento. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado partiu para o ataque direto:
“Você é uma vergonha para Mato Grosso do Sul. Saiu do anonimato para chegar ao Senado por causa do Bolsonaro e hoje mendiga engajamento nas redes da maneira mais vil e nojenta possível”, disse.
Pollon ainda chamou a senadora de “traíra”, afirmando que ela tenta se aproximar da esquerda após romper com o grupo bolsonarista. “Nenhuma pessoa decente do Estado tem coragem de te dar um voto”, disparou. O deputado acusou Soraya de usar “uma mulher fragilizada”, referindo-se a Michelle, como alvo de chacota para atrair likes.
O embate não é isolado. Michelle Bolsonaro também já havia atacado Soraya recentemente, chamando-a de “surfista da onda Bolsonaro” após a senadora criticar advogados de presos pelos atos de 8 de janeiro.
Com a aproximação das eleições, a tendência é que confrontos como esse se intensifiquem. Nos bastidores da política sul-mato-grossense, a percepção é de que Soraya terá um ano eleitoral turbulento, visto que parte do eleitorado de direita, esquerda e até centro já se mobiliza para criticá-la publicamente, refletindo a polarização que domina o cenário nacional.
A disputa promete ser um dos capítulos mais quentes da política do Estado em 2026 — e, pelos sinais iniciais, a temperatura já começou a subir.





