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    De MS, ministra das Mulheres é acusada de assédio moral e xenofobia

    BarthimanBarthimanjaneiro 21, 2025
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    A Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, enfrenta sérias acusações de assédio moral e xenofobia por parte de ex-servidoras. Relatos de hostilidade, cobranças excessivas e discriminação, incluindo episódios de racismo, levaram o caso à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Comissão de Ética Pública (CEP).

    As denúncias, que envolvem também outras servidoras do ministério, ganham destaque pela proximidade da ministra com a primeira-dama e pela falta de ação significativa do governo até o momento, apesar das investigações em andamento.

    Além de Cida Gonçalves, outras servidoras do ministério, incluindo a secretária-executiva Maria Helena Guarezi, a corregedora Dyleny Teixeira Alves da Silva e a ex-diretora de Articulação Institucional Carla Ramos, também foram citadas nas denúncias.

    Os documentos e áudios obtidos pelo Estadão revelam episódios de ameaças de demissão, gritos e cobranças de resultados em prazos apertados, que teriam afetado a saúde e o bem-estar das servidoras. Tais práticas podem configurar assédio moral, conforme apontam as ex-colaboradoras da ministra. Os relatos também indicam manifestações de preconceito, incluindo episódios de racismo e xenofobia.

    As denúncias ganham relevância no contexto político atual, uma vez que Cida Gonçalves é uma figura próxima da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Apesar das acusações, a ministra segue no cargo, sem mudanças significativas em sua equipe, e o caso tem sido tratado com discrição dentro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

    Detalhes – As acusações começaram a se intensificar após o desentendimento entre Cida Gonçalves e a ex-secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política, Carmem Foro.

    Foro, uma sindicalista do Pará, foi exonerada em agosto de 2024. Segundo as denunciantes, em uma reunião subsequente, Cida fez ameaças veladas à equipe, afirmando que aqueles ligados à ex-secretária poderiam perder seus postos.

    Nas gravações das reuniões, Cida declarou: “Eu sei que todo mundo diz que sou uma ministra de gabinete, que ninguém tem acesso, mas é uma mentira. A pessoa mais fácil sou eu. Agora, é verdade que minha agenda é um inferno.’ Ela cobrou respeito à hierarquia do ministério, destacando que não permitiria afrontas à sua autoridade, e prometeu exigir mais resultados de sua equipe.

    A ministra também revelou um critério de seleção para a nova equipe: “Vou recrutar uma mulher negra, do Norte ou do Nordeste, com viés feminista e bom trânsito político’. Essa afirmação causou desconforto, especialmente entre as servidoras da região Norte, que se sentiram desvalorizadas.

    Racismo e xenofobia – Além das acusações de assédio moral, as ex-servidoras relatam episódios de racismo e xenofobia dentro do ministério. Em um dos casos, Maria Helena Guarezi, secretária-executiva do ministério, teria feito um comentário depreciativo sobre o cabelo crespo de Carmem Foro, durante uma reunião em abril de 2024. Foro, que se sentiu humilhada, levou o incidente ao conhecimento da ministra, mas, segundo os relatos, não obteve resposta ou providências.

    Outro episódio envolve a corregedora Dyleny Alves, que foi alertada sobre as práticas de assédio, mas se mostrou relutante em tomar medidas. Ela teria explicado que não poderia agir diretamente contra a ministra devido ao foro privilegiado, mas admitiu ter procurado saber da situação de algumas servidoras, especialmente aquelas vindas do Pará, uma atitude que foi interpretada pelas denunciantes como xenofóbica.

    A reportagem questionou a assessoria de imprensa da ministra sobre as denúncias. Em nota foi informado que ‘nenhuma das acusações foi registrada formalmente nos canais de denúncia da Corregedoria do órgão’.

    De acordo com o documento, a pasta realizou no ano passado ‘capacitações com todas as áreas do órgão, incluindo lideranças, servidores(as) e trabalhadores(as) terceirizados(as), sobre prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual, abordando em detalhes as atribuições da Corregedoria, além de esclarecer como as denúncias sobre conduta de conotação sexual e assédio moral são tratadas no âmbito do direito administrativo disciplinar. Ao todo, 161 pessoas foram capacitadas, o que representa 62% do órgão’.

    O Ministério das Mulheres reforçou ainda ser contra todo tipo de discriminação e ressaltou que dará andamento a qualquer tipo de denúncia feita formalmente nos seus canais pertinentes e prestará todo o apoio a eventuais apurações instauradas nos órgãos externos de controle.

    Vale lembrar que desde o ano passado, Cida tem sido citada pela imprensa nacional como uma das prováveis mudanças do governo Lula que serão anunciadas nos próximos dias.

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