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    Home»Destaque»Déficit de armazenagem gera perda de R$ 6,1 bilhões ao agronegócio de MS
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    Déficit de armazenagem gera perda de R$ 6,1 bilhões ao agronegócio de MS

    BarthimanBarthimanfevereiro 10, 2026
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    O déficit de armazenagem de grãos em Mato Grosso do Sul gerou um custo de oportunidade estimado em R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025, valor que corresponde a receitas que deixaram de ser capturadas pelos produtores em razão da limitação estrutural de silos no estado. Do montante, R$ 4,7 bilhões representam a soja e R$ 1,4 bilhão o milho, o que evidencia a maior sensibilidade da oleaginosa às condições de mercado e à insuficiência de capacidade de estocagem. Os dados integram um estudo técnico desenvolvido pela Aprosoja/MS, que aponta que a falta de armazenagem adequada força a comercialização dos grãos no período de colheita, quando a maior oferta pressiona os preços e reduz a rentabilidade do produtor.

    Na safra analisada, a produção conjunta de soja e milho no estado foi estimada em 24,26 milhões de toneladas, enquanto a capacidade estática de armazenagem totaliza 16,39 milhões de toneladas. Ao considerar o parâmetro técnico recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que indica a necessidade de capacidade de armazenagem equivalente a 120% da produção anual, Mato Grosso do Sul apresenta um déficit 12,72 milhões de toneladas, equivalente a 43,7% da capacidade ideal necessária para atender adequadamente à demanda da safra.

    Entre os municípios analisados, os cinco que registraram os maiores custos de oportunidade foram: Maracaju, com R$ 708,5 milhões; Ponta Porã, com R$ 457,9 milhões; Sidrolândia, com  R$ 401,2 milhões;  Dourados, com R$ 318,6 milhões e São Gabriel do Oeste, com R$ 265,7 milhões. Juntos, os municípios concentram mais de R$ 2,15 bilhões em perdas por falta de armazenagem. Maracaju, o maior produtor de grãos do estado, corresponde sozinho por mais de 11% do custo de oportunidade total, evidenciado o elevado déficit de armazenagem frente ao volume produzido.

    O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, destaca que o déficit de armazenagem tem impacto direto sobre a gestão financeira das propriedades rurais. “A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades’, afirma.

    O estudo também analisou a evolução da capacidade de armazenagem no estado. Entre 2014 e 2025, Mato Grosso do Sul praticamente dobrou sua capacidade estática, passando de 8,97 milhões para 16,39 milhões de toneladas. Somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 10,93%, com acréscimo de 1,6 milhão de toneladas.

    O economista da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, destaca que a expansão da armazenagem tem ocorrido de forma reativa e não de maneira antecipada. “Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal.’

    O estudo aponta que o montante perdido na safra 24/25, equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho no estado, volume que poderia financiar investimentos em novas estruturas de armazenagem. Buscando contribuir com o desenvolvimento e fortalecimento da cadeia produtiva, a entidade defende a ampliação de políticas públicas, linhas de crédito e incentivos fiscais voltados à construção de silos, especialmente nos municípios com maior déficit.

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