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    Home»Destaque»Dólar ganha força globalmente com o retorno de Donald Trump à Casa Branca
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    Dólar ganha força globalmente com o retorno de Donald Trump à Casa Branca

    BarthimanBarthimannovembro 6, 2024
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    Donald Trump é eleito o 47º presidente dos Estados Unidos. Após uma disputa apertada, o republicano ganhou em estados chaves e, ao declarar a vitória nesta quarta-feira, 6, que o slogan de sua próxima gestão será “Promessas feitas serão cumpridas”. Além de políticas anti-imigração, o republicano também propõe corte de impostos e diminuição do déficit, questões que afetam não só a economia dos Estados Unidos, como de todo mundo.

    O republicano prometeu que fará com que os Estados Unidos deem a “volta por cima”, com melhorias nos indicadores econômicos. “Eu não vou descansar até devolver uma América segura e próspera que merecemos. Essa vai ser a era de ouro da América.” Nesta manhã, o índice DXY, o dólar frente a moedas estrangeiras, sobe 1,4%. Os futuros do S&P  avançam 1,2%, os rendimentos dos Treasuries subiram e o bitcoin bateu os US$ 75 mil, atingindo um novo recorde.

    A valorização dos indicadores mostra que os investidores esperam que o segundo governo Trump seja muito parecido com o primeiro: um fluxo constante de políticas (cortes de impostos, desregulamentação, tarifas) que estimularão simultaneamente o crescimento econômico, os lucros corporativos e a inflação.

    “Trump propõe cortes de impostos para aquecer a economia, o que pode gerar preocupações com a inflação e com a saúde fiscal dos Estados Unidos. Além disso, Trump adota uma postura mais agressiva no comércio, especialmente com a China e a Europa. Essa abordagem pode resultar em uma guerra comercial que afeta negativamente tanto os Estados Unidos quanto os países que dependem dessas economias, como o Brasil”, afirmou Jefferson Laatus, chefe-estrategista do grupo Laatus.

    Num ambiente mais vulnerável à inflação, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, teria menos espaço para reduzir as taxas de juros. Portanto, mais juros é igual a mais força para o dólar e mais pressão nos rendimentos dos títulos de renda fixa dos EUA.

    Impacto para o Brasil

    O dólar em patamar mais elevado, em especial num momento que a moeda oscila na entre os R$ 5,70 e R$ 5,80, aumenta a preocupação com a inflação, já que as commodities são cotadas em dólar e influenciam os preços no país. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne para anunciar a decisão de juros. A expectativa é de aumento de 0,5 ponto da taxa Selic.

    ‘Uma vitória de Trump seria positiva para o dólar americano, especialmente sob uma vitória completa dos republicanos, pois os investidores imediatamente precificariam uma redução de impostos nos EUA, elevação das taxas do Federal Reserve, maior protecionismo e riscos geopolíticos elevados’, afirmou Matthew Ryan, Head de Estratégia de Mercado da Ebury.

    Volney Eyng, CEO da gestora Multiplike,  disse que, apesar da volatilidade dos mercados, a expectativa é que as mudanças reais serão limitadas. “As decisões sobre a taxa de juros nos EUA dependerão principalmente do controle da inflação. Se a inflação estiver sob controle, é provável que as taxas diminuam para evitar uma recessão no próximo ano. No entanto, se a inflação começar a subir novamente, especialmente em um cenário de mercado de trabalho tenso e baixo desemprego, poderemos enfrentar dificuldades que poderiam interromper a redução gradual das taxas. Para o Brasil, uma interrupção na queda das taxas de juros nos EUA teria um impacto negativo, especialmente com a pressão inflacionária próxima do teto de 4,50%. Se as taxas forem mantidas nos EUA, isso pode limitar a capacidade do Brasil de continuar aumentando a Selic de forma gradual, obrigando uma elevação mais acentuada, como um aumento de 0,50%. Portanto, os investidores devem prestar mais atenção às projeções inflacionárias diárias e menos às incertezas eleitorais”, explicou o executivo.

     

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