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    Feminicídios batem recorde no Brasil, na contramão dos assassinatos

    BarthimanBarthimanjulho 23, 2026
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    O Brasil registrou recorde de 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4% e média de quatro mulheres mortas por dia.

    Outros indicadores de violência contra a mulher também cresceram, como stalking (30%), violência psicológica (17%) e descumprimento de medidas protetivas (17%).

    Na contramão, as mortes violentas caíram 8%, para 40.775 casos, o menor número registrado desde 2012.

    A taxa nacional ficou abaixo de 20 pela primeira vez, com 19,1 mortes violentas por 100 mil habitantes, após redução em 20 estados.

    O anuário também aponta alta nas mortes cometidas por policiais, nos crimes de abuso sexual infantil e no bullying, além de 964 mil pessoas no sistema prisional.

    Os feminicídios no Brasil bateram recorde em 2025, número que vai na contramão do registro do menor patamar de mortes violentas em geral em mais de uma década, segundo dados do Anuário da Segurança Pública divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    Foram 1.571 feminicídios ao longo do ano passado, alta de 4% em relação aos 1.504 crimes registrados em 2024. Isso significa 4 mulheres mortas por dia. É a maior quantidade de registros desde a criação desse tipo penal — o que aconteceu em 2015 (veja na arte abaixo).

    De acordo com o Código Penal, feminicídio é o assassinato de mulheres por razões que envolvem violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

    As mortes violentas seguem em queda contínua há cinco anos: foram 40.775 em 2025, o que é 8% menor em comparação às 44.126 mortes violentas em 2024. É a menor marca desde 2012 (leia mais abaixo).

    São classificadas como mortes violentas intencionais: homicídios dolosos (com intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais.

    Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, considera que a alta nos feminicídios se dá tanto pelo fato de o crime ter sido tipificado quanto por “sinais consistentes de aumento real” neste tipo de crime.

    “Se a gente estivesse lidando apenas com a melhoria do registro, a gente ia esperar uma estabilização após alguns anos. Mas o que a gente tem observado é um crescimento que segue de forma contínua ao longo desse período de monitoramento”, afirma a especialista.

    Outro ponto analisado é a alta em outros indicadores de violência doméstica cometida contra mulheres em 2025 (veja mais abaixo). “O que nos leva para a hipótese de que estamos lidando com um cenário de piora em relação à defesa dos direitos das mulheres”, diz Brandão.

    Menor quantidade de assassinatos em 13 anos

    Com as 40.775 mortes violentas registradas em 2025, o Brasil chegou ao menor patamar nesse indicador desde 2012. Isso se deu pela redução dos crimes em 20 das 27 unidades federativas (veja no mapa abaixo).

    É a primeira vez que o país registra uma taxa de 19,1 mortes a cada 100 mil habitantes. O menor patamar alcançado anteriormente foi com os 20,8 casos por 100 mil, no ano passado.

    Entre os estados com quedas destacadas estão Amazonas (32,5%), Rio Grande do Sul (25,7%) e Mato Grosso (23,2%).

    “A importante redução de mortes violentas intencionais entre 2024 e 2025 em mais de 8% é um dado bastante significativo. Consolida uma tendência de redução que a gente vem acompanhando desde 2018 nas estatísticas, praticamente ininterrupta”, diz David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.”A gente está diante de um fenômeno a ser comemorado dentro da política de segurança pública do Brasil”.

    Para Marques, ainda há espaços para melhoria. “Dentro do número geral de mortes violentas intencionais, ainda tem o feminicídio, que cresceu, e as mortes decorrentes de intervenção policial, que são algo bastante desafiador dentro dessa redução da violência no território brasileiro”, afirma.

    Violência contra mulheres bate recorde

    O Anuário indica alta na maioria dos indicadores de violência contra as mulheres:

    Tentativa de feminicídio: + 6%;Agressões decorrentes de violência doméstica: + 2,6%;Violência psicológica: + 17%;Ameaças: + 0,5%; Descumprimento de medida protetiva: + 17%;Stalking: + 30%

    Foram registradas três tentativas de feminicídio para cada crime consumado.

    Para Juliana Brandão, a violência doméstica é “fortemente influenciada” pela desigualdade de gênero e por padrões culturais de dominação masculina, como o controle coercitivo sobre a vida e a autonomia das mulheres, além da fragilidade na rede de proteção às vítimas.

    “Quando estamos falando de um aumento da letalidade nesse contexto, a gente está diante de um cenário de dificuldade em interromper trajetórias de violência que já são conhecidas pelas instituições, e isso também aponta para limites na capacidade do próprio Estado de prevenir, de proteger e oferecer uma resposta, antes que a violência alcance seu desfecho fatal”, afirma.

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