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    Home»Destaque»Guerra contra a ciência: O risco global da nova política vacinal dos EUA
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    Guerra contra a ciência: O risco global da nova política vacinal dos EUA

    BarthimanBarthimanjaneiro 23, 2026
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    A saúde pública mundial acaba de sofrer um forte ataque com a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seis imunizantes essenciais do calendário infantil oficial: influenza, hepatites A e B, meningococo, rotavírus e vírus sincicial respiratório (VSR), um retrocesso sem precedentes que ultrapassa fronteiras e desafia décadas de evidências científicas. Apesar da decisão, ressalto que a Academia Americana de Pediatria (AAP) manteve a recomendação dessas vacinas, o que traz esperança para a comunidade médica.

    A meu ver, ao substituir a recomendação pelo modelo de “decisão clínica compartilhada”, o Estado americano abdica de seu papel de guia e transfere o peso de uma estratégia de saúde pública e coletiva para a esfera individual. O impacto dessa escolha não é apenas administrativo, é um convite ao retorno de doenças que considerávamos controladas.

    A lógica da vacinação é baseada na imunidade coletiva. Quando o Estado retira o respaldo institucional de uma vacina, ele sinaliza que ela é “opcional”, o que invariavelmente leva à queda da cobertura vacinal.

    Aqui trago um ponto baseado em estatísticas: o mundo assistiu, entre 2024 e 2025, a um ressurgimento alarmante do sarampo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos globais saltaram mais de 20% em 2024 por causa de falhas na cobertura.

    Como médico, vejo com preocupação o impacto dessa decisão. Apesar de o Brasil ser uma referência mundial com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), também estamos expostos às tendências globais, e a mudança nos EUA atua como combustível para o movimento antivacina globalmente, legitimando discursos negacionistas e fake news.

    Contudo, destaco alguns avanços recentes em imunização no nosso país e que não podem ser perdidos: o Ministério da Saúde conseguiu incorporar a vacina/anticorpo contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ao PNI, visando reduzir as internações por bronquiolite, que superlotam nossas UTIs pediátricas todos os anos. E o Brasil, em 2024, alcançou a meta de segurança nacional contra o sarampo e a poliomielite, com 95,80% de cobertura para a primeira dose da tríplice viral e 80,43% para a segunda.

    Ver o país que lidera as inovações em saúde retroceder nessa pauta é um desestímulo à nossa própria soberania sanitária.

    A saúde coletiva não pode ser tratada como uma escolha de prateleira em um consultório. Doenças como a meningite meningocócica, que pode ser fatal em poucas horas, não dão tempo para “debates compartilhados” quando o surto se instala.

    O Brasil deve reafirmar seu compromisso com a ciência e defender que a vacina continue sendo um direito de todos e um dever do Estado. A proteção das nossas crianças é um pacto geracional que não admite retrocesso.

    *Alberto Chebabo é infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia

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