Guto Miguel termina a temporada 2026 como juvenil número 1 do mundo e ocupa, no momento o 547º do ranking profissional. A maior promessa do tênis masculino brasileiro tem uma meta ousada para 2027: disputar Roland Garros, seja no qualifying (precisa estar pelo menos entre os 250 primeiros do ranking) ou na chave principal (perto do top 100).
Não é a primeira vez. No fim do passado, Guto disse que pretendia vencer dois slams juvenis em 2026. Ficou muito perto. Ganhou Roland Garros e perdeu a final do US Open, onde teve match point. Conversamos sobre esse momento e muito mais aqui na Costa do Sauípe, onde acompanho o Challenger 125 que é o segundo maior torneio profissional masculino em solo brasileiro.
No papo, Guto também falou sobre como precisa evitar comparar-se aos melhores tenistas de sua faixa etária e como também tem que aceitar mais seus erros - consequências naturais de seu estilo de jogo agressivo. A conversa completa está no vídeo abaixo. Assistam!
Sobre o match point perdido na final do US Open juvenil
"Um pontinho que ainda me dói. Até hoje eu lembro. É uma bola que eu não costumo errar. Se for pegar o torneio inteiro, de dez bolas dessas, provavelmente eu teria acertado nove. Acabou que no match point eu errei, mas não foi só aquela bola que me fez perder o jogo. Saquei 6/4 e 3/1. Tive a chance de fechar em dois sets".
Sobre aceitar mais os erros
"Eu sou um jogador agressivo. Vou para as bolas. Tenho meus bons tiros. Por ter esses tiros, eu vou errar mais. E tenho que aceitar esses erros. O que eu mais estou pecando é me cobrar demais. às vezes, aceitar um erro que eu fiz com a intenção certa, sabe? Eu tendo a errar mais do que os outros. Também eu também tendo a dar winner, a ganhar pontos com o saque, com bolas curtas, então um jogador mais complexo eu me considero."
Sobre o que evoluiu mais em 2026
"Meu profissionalismo. Dentro e fora da quadra." Se eu falo meus defeitos aqui, meu adversário pode ver. É uma coisa mais interna minha, com a minha equipe."
Sobre acompanhar os resultados dos melhores juvenis do mundo
"Eu prestava mais atenção, mas acaba me atrapalhando porque eu ficava me comparando com eles. 'Ele fez final, eu tenho que fazer final também'. Se eu fiz uma semi, já estava ruim. Mas não estava. O Mackenzie [alemão Jamie Mackenzie, atual #4 do ranking juvenil] fez uma final de Challenger em uma semana e nessa semana eu fiz semi. Na minha cabeça, na semifinal eu já estava pensando 'tenho que fazer final'. E isso acabava atrapalhando. Hoje em dia, estou pensando mais em mim mesmo."
Alcaraz como inspiração
"Eu me espelho muito no Alcaraz. Não vou dizer que eu jogo igual a ele ou que tenho chance de virar um Alcaraz da vida, mas é um cara em quem eu me espelho muito. Eu almejo um dia estar no lugar dele."
"Eu tenho um objetivo de estar em Roland Garros de novo no ano que vem. No quali ou na chave, vai depender de mim. Mas esse é um objetivo que eu, Guto, tenho comigo mesmo. Não é nem coma minha equipe. E aí tudo começa, né? Mas esse é meu objetivo principal."

