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    Home»Destaque»O que o mau uso da testosterona tem a ver com a violência e o feminicídio | Letra de Médico
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    O que o mau uso da testosterona tem a ver com a violência e o feminicídio | Letra de Médico

    BarthimanBarthimanmarço 28, 2026
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    No início, tudo parece girar em torno do corpo, da libido e da potência. Mais força e mais definição em um projeto idealizado de corpo escultural. Mas há uma parte invisível dessa transformação que raramente entra na narrativa: o cérebro. E, com ele, muda a forma como alguém se relaciona com quem está ao lado.

    A ciência tem insistido em uma mensagem incômoda: esteroides anabolizantes como a testosterona não atuam apenas no músculo. Eles modulam emoções, alteram impulsos, interferem no julgamento e podem distorcer a percepção do outro.

    Podemos listar os problemas: dependência, tolerância e síndrome de abstinência, além de irritabilidade, ansiedade, alterações de memória, comportamentos de risco e episódios psiquiátricos que podem incluir euforia, mania, delírios, paranoia, depressão e aumento do risco de pensamentos suicidas. Não é apenas uma mudança física. É uma mudança de funcionamento cerebral.

    E é nesse deslocamento quase imperceptível no início que muitas histórias começam a se desenhar. A irritabilidade aparece primeiro. Depois, a impaciência. Pequenos conflitos ganham intensidade desproporcional. O que antes era diálogo vira confronto. O que era desconforto vira explosão.

    Aos poucos, o espaço entre estímulo e reação diminui e, com ele, a capacidade de conter o impulso. Não se trata apenas de “ficar mais agressivo”. Trata-se de perder a calibragem emocional.

    Usuários dependentes de esteroides apresentam dificuldade em reconhecer emoções, especialmente o medo, no rosto de outras pessoas. Em termos humanos, isso significa algo simples e devastador: a incapacidade de perceber o limite. E o risco deixa de ser teórico. Ele passa a ser cotidiano.

    Um alerta baseado em evidências

    Mais recentemente, esse elo foi examinado de forma direta no contexto da violência por parceiro íntimo. Os dados são claros: usuários de testosterona e afins apresentam maior probabilidade de cometer abuso físico, psicológico e sexual.

    Em um estudo dinamarquês com 545 usuários de esteroides anabolizantes e 5 450 pessoas que nunca utilizaram essas drogas, usuários de esteroides apresentaram nove vezes mais risco de cometer crime, e, ao fim de 11 anos de seguimento, 18,5% haviam sido presos por crimes violentos não atribuíveis a fatores socioeconômicos.

    A violência deixa de ser um desvio eventual. Passa a ser um desfecho possível. E, como quase sempre acontece, ela não é distribuída de forma neutra. As vítimas têm rosto. Têm gênero. Têm história.

    Mulheres parceiras de usuários de esteroides, ou mesmo parceiros do mesmo sexo, aparecem de forma recorrente nesses estudos não como estatística abstrata, mas como alvo concreto de um comportamento que combina impulsividade aumentada, menor empatia e maior reatividade emocional.

    É nesse ponto que a discussão deixa de ser sobre performance e passa a ser sobre proteção. Porque existe uma linha fina, mas real, entre a desregulação emocional e a violência grave. E, em alguns casos, essa linha é atravessada de forma irreversível.

    Um olhar para a violência contra a mulher

    O feminicídio, na sua forma mais brutal, raramente nasce de um único fator. Ele é multifatorial, complexo, atravessado por cultura, história, dinâmica relacional. Mas ignorar elementos biológicos que amplificam agressividade, reduzem controle inibitório e distorcem a percepção do outro é fechar os olhos para uma parte da equação. E os esteroides anabolizantes potencializam tudo isso.

    Do ponto de vista biológico, há plausibilidade para esses comportamentos. Estudos de neuroimagem mostram alterações em regiões cerebrais ligadas ao controle de impulsos e à regulação emocional em usuários crônicos de testosterona. Há também evidências de alterações neuroquímicas e redução de fatores ligados à plasticidade cerebral. Em termos simples: o freio pode falhar exatamente quando mais se precisa dele.

    E, ainda assim, há algo que a ciência também mostra e que muda o tom dessa história. Quando informados, muitos usuários de testosterona querem ajuda. Em um estudo norueguês, mais de 70% dos usuários demonstraram interesse em tratamento após receberem informação adequada.

    Isso desmonta uma ideia perigosa: a de que não há o que fazer. Há, sim, mas exige uma mudança de postura. Exige sair da banalização que transforma risco em estilo de vida ou em julgamento vazio e que afasta quem mais precisa de cuidado.

    Porque, no fim, essa não é apenas uma discussão sobre hormônios e seu mau uso. É uma discussão sobre segurança. Sobre relações. Sobre vidas que poderiam seguir outro curso se alguém, em algum momento, tivesse dito com clareza que força sem controle não é força. É risco. E que, às vezes, o maior dano não aparece apenas no corpo de quem usa. Mas na vida de quem está ao lado.

    Veja – * Clayton Macedo é endocrinologista, coordenador do Núcleo de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

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