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    Obesidade pode estar “escondida’ em pessoas com IMC normal, sugere estudo

    BarthimanBarthimanjunho 10, 2026
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    Índice de Massa Corporal (IMC) é uma das ferramentas mais utilizadas no mundo para avaliar o peso e estimar o risco de doenças relacionadas à obesidade. Mas um novo estudo apresentado durante o congresso da Endocrine Society, nos Estados Unidos, sugere que esse indicador pode estar deixando escapar uma parcela significativa da população com excesso de gordura corporal e maior risco metabólico.

    Os pesquisadores analisaram dados de adultos americanos utilizando critérios mais amplos para identificar obesidade, levando em conta não apenas o IMC, mas também medidas de composição corporal e sinais de comprometimento da saúde associados ao excesso de gordura.

    Conclusão: mais de um quarto das pessoas classificadas como tendo peso normal pelo IMC preencheriam critérios para obesidade segundo essa abordagem mais abrangente.

    O problema do IMC

    Criado no século XIX, o IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Embora seja simples e barato, ele apresenta limitações importantes.

    O índice não distingue massa muscular de gordura nem informa onde essa gordura está distribuída no organismo. Isso significa que duas pessoas com o mesmo IMC podem ter composições corporais muito diferentes.

    Nos últimos anos, temos destacado especialmente os riscos da chamada gordura visceral — aquela que se acumula ao redor dos órgãos internos. Mesmo em indivíduos com peso considerado normal, esse tipo de gordura está associado a maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e outras condições crônicas.

    A pesquisa americana se soma a um movimento crescente entre especialistas para redefinir a forma como a obesidade é diagnosticada.

    Em vez de considerar apenas o peso corporal, a proposta é incorporar fatores como percentual de gordura, circunferência abdominal, presença de alterações metabólicas e impacto do excesso de gordura sobre a saúde.

    Essa discussão ganhou força nos últimos anos porque a obesidade passou a ser entendida como uma doença complexa e multifatorial, e não apenas como um excesso de peso.

    Segundo os autores, a adoção de critérios mais completos poderia permitir a identificação precoce de pessoas que atualmente não recebem orientação ou acompanhamento adequado por apresentarem um IMC dentro da faixa considerada normal.

    Sérias implicações

    Os resultados também levantam um debate sobre o tamanho real da epidemia de obesidade. Dependendo dos critérios utilizados, a prevalência da condição pode ser muito maior do que as estimativas atuais.

    Isso não significa que o IMC deva ser abandonado. Ele continua sendo uma ferramenta útil para rastreamento populacional e para avaliações iniciais. O problema surge quando o índice é utilizado como único parâmetro para definir o estado de saúde de uma pessoa.

    Na prática, recomenda-se que a avaliação do risco cardiometabólico inclua outros indicadores, como circunferência da cintura, exames laboratoriais, histórico clínico e, quando possível, métodos que estimem a composição corporal.

    A principal mensagem do estudo é que um peso aparentemente normal não garante ausência de risco. Em alguns casos, o excesso de gordura corporal pode permanecer invisível aos olhos da balança — mas não aos efeitos que produz no organismo.

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