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    Home»Destaque»Opositor de Maduro morre após 1 ano preso na Venezuela
    Destaque

    Opositor de Maduro morre após 1 ano preso na Venezuela

    BarthimanBarthimandezembro 8, 2025
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    O político Alfredo Díaz, ex-governador de Nueva Esparta e ex-prefeito de Porlamar, na Venezuela, morreu aos 56 anos depois de 1 ano detido no centro de custódia de El Helicoide, em Caracas. Segundo comunicado do partido Acción Democrática, ao qual era filiado, “sua detenção se prolongou por mais de 1 ano de maneira injusta e durante esse tempo não recebeu a atenção médica que necessitava’.

    O partido pediu uma investigação independente e transparente, além de exigir atenção médica integral para todos os presos políticos na Venezuela.

    Díaz foi preso em novembro de 2024, 4 meses depois das eleições presidenciais, na cidade de Ospino. Ele tentava sair do país. Familiares relataram que ele permaneceu praticamente incomunicável e que só foi autorizada uma visita da filha ao longo do período em que esteve sob custódia.

    Ele foi um dos opositores detidos na onda de prisões promovida pelo governo de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) após a disputa eleitoral na Venezuela. Organizações de direitos humanos afirmam que essa é a 10ª morte de preso político desde o pleito. Alfredo Romero, diretor-presidente da ONG Foro Penal, declarou que a informação repassada oficialmente à família é de que Díaz sofreu um infarto.

    Segundo registros da entidade, 17 presos políticos morreram sob custódia desde 2014. Romero afirmou em publicação: “A vida e a saúde de um preso estão nas mãos do Estado e de quem exerce a custódia”.

    A morte provocou reação internacional. O Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos escreveu em nota que a morte do opositor, “detido de forma arbitrária no centro de tortura de El Helicoide’, é “mais um lembrete da natureza vil do regime criminoso de Maduro’.

    Os Estados Unidos têm realizado, nos últimos meses, uma série de ataques contra embarcações que, segundo o governo americano, fariam tráfico de drogas na região. O governo de Nicolás Maduro nega envolvimento em atividades criminosas e diz que os norte-americanos tentam uma mudança de regime para controlar as reservas de petróleo da Venezuela.

    Em comunicado conjunto, María Corina Machado —opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz— e Edmundo González Urrutia, que concorreu contra Maduro em 2024, afirmam que a morte de Díaz não pode ser tratada como evento isolado e que o caso reforça acusações recorrentes de violações de direitos humanos sob custódia do regime. O texto registra que “o Estado e quem exerce a custódia são responsáveis pela vida e saúde da pessoa detida’ e que cada omissão será documentada.

    Nascido na Ilha de Margarita, Díaz foi um dos nomes mais populares da oposição regional. Graduado em administração de empresas turísticas pela Universidade de Oriente, venceu as eleições para a prefeitura de Porlamar em 2008 e foi reeleito em 2013. Em 2017, conquistou o governo de Nueva Esparta, em um dos períodos de maior tensão política no país, marcado por protestos após a anulação da Assembleia Nacional.

    Com perfil moderado, aceitou jurar perante a Assembleia Nacional Constituinte criada pelo chavismo naquele ano, condição imposta pelo governo para que os governadores assumissem seus cargos na Venezuela. Voltou à linha de confrontação política na campanha de 2024, ao contestar os resultados e pedir a divulgação dos comprovantes de votação —semanas antes de ser preso.

    Segundo o Foro Penal, a Venezuela tem hoje 884 presos políticos, o número mais alto da América Latina. A família de Díaz e organizações independentes pedem investigação e responsabilização.

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