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    Home»Destaque»Pesquisadores desenvolvem anticorpo que reativa o sistema imunológico contra o câncer de pâncreas
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    Pesquisadores desenvolvem anticorpo que reativa o sistema imunológico contra o câncer de pâncreas

    BarthimanBarthimannovembro 3, 2025
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    Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram um anticorpo que pode ajudar no tratamento de tumores de câncer de pâncreas. O estudo combinou dados de pacientes humanos e ensaios em laboratório com células humanas, além de testes em camundongos para validar a eficácia do tratamento em organismos vivos.

    O câncer de pâncreas cresce de forma silenciosa, explica o médico oncologista Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center.

    Os pesquisadores identificaram a presença de uma proteína chamada Siglec-10 em células de defesa dentro dos tumores pancreáticos. Na busca por entender como essa molécula ajuda o câncer a se esconder, eles descobriram que ela se liga a outra proteína presente na superfície das células cancerígenas, a Integrina α3β1.

    Essa ligação ‘engana’ as células de defesa, que param de atacar o tumor. Quando os cientistas bloquearam essa interação com um anticorpo desenvolvido para isso, as células do sistema imunológico voltaram a reconhecer e destruir o câncer com eficácia.

    Líder da pesquisa, o cientista e imunologista Mohamed Abdel-Mohsen, explica que essa descoberta é importante porque mostra que o mesmo mecanismo que ajuda o câncer a se espalhar também o ajuda a se esconder do sistema imunológico.

    ‘Ao remover esse sinal de ‘não ataque’, conseguimos reativar essas células e fortalecer todo o sistema imunológico’, diz.

    Mesmo com detecção precoce, o tratamento ainda enfrenta grandes barreiras. Segundo ele, o pâncreas fica em uma região profunda do abdome, próxima de vasos, nervos e outras estruturas, o que favorece a invasão precoce do tumor.

    ‘Além disso, as mutações são muito frequentes, em mais de 90% dos casos’, diz ele. Outro fator é que o tumor cria um ‘ambiente hostil’, com tecido fibroso ao redor e pouca penetração de células de defesa, o que reduz a eficácia dos medicamentos.

    Esse recente estudo Northwestern, por exemplo, indica que, embora a mutação Kras seja um alvo conhecido, o uso isolado de medicamentos que bloqueiam essa mutação não é suficiente, explica o oncologista.

    Abdel-Mohsen conta que a equipe agora está trabalhando para levar essa nova classe de imunoterapia ao ambiente clínico. ‘Nosso plano é concluir testes adicionais em laboratório, garantir a produção do anticorpo em qualidade clínica e avançar para discussões com órgãos reguladores sobre os primeiros estudos em humanos’, explica o pesquisador.

    O tratamento do câncer de pâncreas é definido por uma avaliação que considera o estágio da doença, as condições do paciente e as características do tumor. Quando detectado precocemente, a cirurgia é a principal chance de cura, frequentemente combinada com quimioterapia antes ou depois do procedimento.

    Para a maioria dos casos, diagnosticados em estágio avançado, a quimioterapia e a radioterapia continuam sendo as principais opções, mas há também novas abordagens, como imunoterapias e medicamentos que agem sobre alvos específicos.

    Abdel-Mohsen destaca que uma das próximas etapas é testar a combinação do novo anticorpo com quimioterapia ou imunoterapias já existentes. ‘Essa estratégia pode gerar uma resposta mais robusta do que qualquer tratamento isolado’, afirma.

    O oncologista Felipe Coimbra reforça que o câncer de pâncreas costuma ser descoberto tardiamente porque, em sua fase inicial, apresenta poucos ou nenhum sintoma. Desconforto abdominal leve ou perda de apetite dificilmente levam o paciente a investigar. Quando surgem sinais como icterícia, dor nas costas ou perda de peso inexplicável, geralmente a doença já está em estágio avançado, completa.

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