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    Pitaia: a ascensão meteórica (e os benefícios) da fruta-do-dragão

    BarthimanBarthimanjaneiro 16, 2026
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    Ela chama a atenção: tanto por fora como por dentro. Sua casca, toda exuberante, lembra escamas – daí o apelido de fruta-do-dragão. E a polpa, que pode ser branca ou avermelhada, cheia de sementinhas pretas, parece uma pintura. Para completar, o sabor é suave e refrescante. Falamos da pitaia (ou pitaya), uma espécie de origem mexicana que está ganhando o mundo.

    O crescimento meteórico na procura e na demanda pela indústria de bebidas e alimentos colocou a fruta como um dos grandes destaques do relatório de tendências Taste Charts 2026, um painel anual elaborado pela Kerry, empresa global de nutrição sustentável, baseado em pesquisas com consumidores e mais de 1 200 cientistas e técnicos especializados em aromas.

    Nos últimos anos, a pitaia ampliou seu domínio pelo mercado asiático, virando principalmente ingrediente de bebidas refrescantes. Agora, a expansão na América Latina, especialmente no Brasil e nos países andinos, mostra que ela tem vocação para hit internacional.

    Segundo o estudo da Kerry, o alimento lidera a inovação no lançamento de sabores. Houve um crescimento anual de 17% no número de produtos com pitaia entre 2023 e 2025.

    O setor preponderante é o de bebidas funcionais e refrescantes, mas o relatório observa a forte entrada da fruta no segmento de doces e bebidas alcoólicas, com potencial disseminação para os mercados norte-americano e europeu.

    No Brasil, entre as bebidas alcoólicas que levam a fruta, foi registrado um crescimento de 200% nas versões com fruta-do-dragão apenas no ano passado. Na América Central e no Caribe, o aumento foi de quase 60% nos três últimos anos.

    “A pitaia tem se mostrado um fenômeno de tendência principalmente em bebidas refrescantes e agora vem se destacando entre as bebidas alcoólicas. O crescimento do sabor em várias regiões demonstra uma forte preferência do consumidor pela fruta, como mostra nossa ferramenta — hoje o mais completo guia sobre sabores que devem dominar a indústria alimentícia”, diz Fernanda Fontolan, gerente de marketing em Taste da Kerry para a América Latina.

    “Com os dados que fornecemos nesse trabalho, as marcas podem se antecipar e proporcionar o que as pessoas realmente buscam, dentro de uma proposta de oferecer produtos mais saudáveis, saborosos e sustentáveis”, afirma.

    Os benefícios únicos da pitaia

    Para além da indústria, que recruta a fruta como ingrediente, a pitaia in natura também tem conquistado mais espaço em feiras e hortifrútis. Apesar de o preço ainda ser uma barreira para muitos brasileiros, o sabor e a aparência são chamarizes para o consumo.

    “É uma fruta instagramável, com apelo visual e estético”, diz a nutricionista Lara Natacci, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban).

    Outra atração do alimento é a riqueza nutricional, já documentada em estudos. “Como toda fruta, ela fornece vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Mas a pitaia tem um antioxidante pouco comum nesses alimentos, a betalaína, que combate o estresse oxidativo e tem um efeito anti-inflamatório, algo útil na prevenção de doenças”, explica Natacci.

    Além disso, a especialista conta que a espécie oferta oligossacarídeos, substâncias que estimulam o crescimento das bactérias benéficas da flora intestinal.

    Outro trunfo da fruta-do-dragão observado pela nutricionista é a baixa densidade energética. Em bom português: ela pouco engorda. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, da USP, 100 gramas de pitaia concentram apenas 50 calorias. Boa opção para quem está de dieta!

    “É uma fruta bonita e versátil. Dá para comer pura, dá para colocar na salada de frutas, e, como tem um sabor mais neutro, pode enriquecer receitas como a de um smoothie”, resume Natacci.

    Pesquisas recentes indicam que o consumo de fruta-do-dragão é bem-vindo particularmente aos vasos sanguíneos e ao coração – provavelmente devido ao mix de antioxidantes encabeçado pela betalaína.

    Na bebida pronta ou na fruteira de casa, o fato é que a pitaia pediu passagem. Passagem estrondosa.

     

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