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    Home»Destaque»Por que o governo Lula era contra a classificação de PCC e CV como terroristas
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    Por que o governo Lula era contra a classificação de PCC e CV como terroristas

    BarthimanBarthimanmaio 29, 2026
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    Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 28, que classificarão as facções criminosas brasileiras PCC e CV como narcoterroristas a partir da próxima semana. A designação, defendida pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e apoiadores, era criticada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda não fez uma declaração oficial sobre o tema após a manifestação norte-americana.

    O principal temor do governo brasileiro é que essa designação abra margem para uma ação militar dos Estados Unidos no país. Foi com essa justificativa, de combate ao narcoterrorismo, que as Forças Armadas norte-americanas capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e bombardearam embarcações no Mar do Caribe.

    Em entrevista recente, o presidente Lula disse que a guerra contra as facções brasileiras cabe às forças nacionais. “Nós aprovamos agora a lei antifacção, que vai nos permitir ter uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir. Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, disse ele aos portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM transmitida nos canais oficiais do governo brasileiro.

    Na mesma ocasião, Lula criticou a iniciativa dos Bolsonaro de pressionar por essa classificação. “O vice [de Trump, JD Vance] foi à Hungria fazer campanha para o [Viktor] Orbán. Eu tenho ouvido aqui no Brasil mensagem do Trump dando palpite na eleição de Honduras, na eleição da Costa Rica, o que eu acho absurdo. É uma intromissão sem precedente na soberania de um país. Aqui, ele ainda não fez, mas os meus adversários têm um filho lá que foi pedir para o Trump intervir no Brasil”, cutucou, em referência à atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo norte-americano.

    A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também já disse que o governo era “terminantemente contra” a iniciativa, ao comentar um projeto de lei que tramita no Congresso para equiparar as facções criminosas ao terrorismo. “O terrorismo tem objetivo político e ideológico e, pela legislação internacional, dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país. Nós não concordamos com isso”, disse.

    A contrariedade do governo brasileiro tem sido explorada por seus opositores, que o acusam de conivência com os grupos criminosos, como fez recentemente Flávio Bolsonaro em uma manifestação: “Ele [Lula] tinha que ter combatido de verdade as organizações criminosas que passaram a ser transnacionais e ele fica com essa mentira de que o Trump vai intervir no Brasil. Ele acha que o Trump vai fazer igual fez com o Nicolás  Maduro, vai pegar o Lula e levar para Washington. Isso não existe”, disse.

    A posição do governo brasileira é respaldada por especialistas. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que atua no combate ao crime organizado há décadas, disse em entrevista a VEJA que essa classificação seria um risco para o Brasil. “Quando você classifica essas organizações como terroristas, o assunto deixa de ser policial e passa a ser de segurança de Estado”, disse. Para ele, a iniciativa pode gerar efeitos negativos para o Brasil e prejudicar a cooperação policial entre os dois países.

     

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