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    Home»Destaque»Pressão sanitária e clima irregular elevam risco de perdas na safra de milho
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    Pressão sanitária e clima irregular elevam risco de perdas na safra de milho

    BarthimanBarthimanmaio 13, 2026
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    A safra brasileira de milho 2025/26 começou sob expectativa de crescimento de área e manutenção do protagonismo do país no mercado global. No entanto, o avanço de pragas e as incertezas climáticas já acendem um alerta entre produtores e técnicos, principalmente para a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional.

    O Brasil ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho, respondendo por cerca de 10,6% da produção global, com volumes superiores a 130 milhões de toneladas por ciclo. Para esta temporada, levantamento da Agroconsult projeta aumento de 2,7% na área cultivada, que deve alcançar 22,9 milhões de hectares.

    Engenheiro agrônomo Douglas Leme: “Monitoramento constante é essencial para identificar problemas no início e agir de forma mais eficiente” – Foto: Arquivo pessoal

    Apesar da expansão territorial, a produção estimada é de 141,6 milhões de toneladas, resultado 6,2% inferior ao ciclo anterior. O cenário reflete o impacto da irregularidade climática em importantes regiões produtoras.

    As maiores preocupações se concentram na segunda safra, especialmente em estados como Goiás e Minas Gerais, onde o milho depende diretamente da regularidade das chuvas durante fases decisivas do desenvolvimento da cultura.

    Segundo a engenheira agrícola Heloisa Melo, mestre em Economia e especialista em Business Analytics, o comportamento climático nas próximas semanas será determinante para o potencial produtivo. “Já observamos cenários mais desafiadores em estados como Goiás e Minas Gerais, principalmente pela dependência de chuvas em momentos decisivos. Se esse volume não se confirmar, pode haver impactos mais severos na produtividade”, afirma.

    A irregularidade hídrica ocorre justamente em um momento de maior sensibilidade da lavoura, aumentando o risco de perdas em enchimento de grãos e redução de produtividade por hectare.

    Foto: Divulgação

    Além do clima, o avanço das pragas vem elevando a pressão sobre os custos de manejo. Entre os principais problemas enfrentados pelos produtores está a cigarrinha-do-milho, inseto associado a perdas bilionárias no país.

    Dados da Embrapa apontam que a praga provoca prejuízos anuais de aproximadamente R$ 33,6 bilhões. Entre 2020 e 2024, as perdas médias chegaram a 22,7% da produção nacional, volume equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas por ano.

    O problema vai além do dano direto causado pelo inseto. A cigarrinha atua como vetor de doenças relacionadas ao enfezamento, comprometendo o desenvolvimento das plantas e afetando a formação dos grãos.

    Outra ameaça crescente é o pulgão-do-milho, presente em diversas regiões produtoras. Ao atacar plantas jovens, o inseto reduz vigor vegetativo, enfraquece o desenvolvimento da cultura e pode transmitir viroses, como o mosaico.

    Além disso, favorece o aparecimento da fumagina, fungo que reduz a capacidade fotossintética da planta e interfere diretamente no desempenho da lavoura.

    Diante desse cenário, o monitoramento constante passou a ser considerado uma das principais ferramentas para reduzir prejuízos. “A pressão de pragas e doenças, aliada às variações climáticas, exige do produtor uma atuação mais estratégica. O monitoramento constante é essencial para identificar problemas no início e agir de forma mais eficiente”, afirma o engenheiro agrônomo Douglas Leme.

    Foto: CNA

    Com maior pressão sanitária e climática, o manejo deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ter influência direta sobre a rentabilidade da lavoura.

    Entre as principais medidas recomendadas pelos especialistas estão análise e correção do solo, manejo adequado da palhada, escolha de híbridos adaptados às condições regionais e monitoramento frequente da lavoura.

    O manejo integrado, combinando controle químico e biológico, tratamento de sementes e ferramentas digitais de acompanhamento, também ganha espaço entre os produtores.

    Outro ponto considerado estratégico é o uso racional dos insumos, com aplicações ajustadas ao momento correto e às necessidades específicas da lavoura. “O manejo bem executado deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser decisivo para o resultado da safra. A combinação entre monitoramento, decisões antecipadas e uso eficiente de tecnologias é fundamental para evitar perdas e sustentar a produtividade do milho no país”, ressalta Leme.

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