Consumidores relatam falhas no disparo da dose, vazamento do medicamento, agulhas tortas e perda de eficácia em produtos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.
O aumento no uso das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil vem acompanhado de um crescimento significativo nas queixas dos consumidores. Levantamento da plataforma Reclame AQUI mostra que, em 2024, as principais marcas, Mounjaro, Ozempic e Wegovy, somaram 1.619 reclamações. Em 2025, o número saltou para quase 4 mil, representando um aumento de 143%.
Segundo a plataforma, o crescimento das queixas acompanha a expansão do uso desses medicamentos no país. Parte dos relatos levanta suspeitas sobre produtos falsificados ou irregulares, mas também há casos envolvendo medicamentos originais ou simplesmente o aumento do número de consumidores.
Em 2024, o medicamento mais citado nas reclamações foi o Ozempic. Já em 2025, o destaque passou a ser o Mounjaro, que registrou um salto expressivo: foram 39 relatos em 2024 contra 2.476 em 2025. Apenas em janeiro deste ano, a plataforma contabilizou 325 registros envolvendo o medicamento.
Enquanto isso, o Ozempic apresentou queda nas reclamações, passando de 1.234 registros em 2024 para 624 em 2025. O Wegovy seguiu caminho oposto e teve aumento nas queixas, saltando de 346 para 835 no mesmo período.
Reclamações variam de acordo com o medicamento
Os motivos das reclamações variam conforme o produto. Entre usuários do Mounjaro, predominam relatos de defeitos na caneta aplicadora, como falhas no mecanismo de disparo, vazamentos e agulhas tortas. Em muitos casos, o problema resulta em desperdício de doses.
No caso do Wegovy, a principal frustração relatada pelos consumidores está relacionada à expectativa de perda de peso. Mesmo após ajustes de dose, alguns usuários afirmam não perceber resultados satisfatórios.
Já entre consumidores do Ozempic, aparecem relatos de perda de eficácia após troca de lote ou de marca do produto.
Além dos três medicamentos mais populares, outros sete produtos também foram alvo de reclamações em 2025, entre eles Saxenda, Rybelsus, Victoza, Xultophy e Trulicity.
No total, esse grupo somou 612 reclamações ao longo do ano. Entre eles, duas marcas concentraram a maior parte dos registros: Olire (251) e Saxenda (178).
Popularidade abre espaço para mercado irregular
O aumento da demanda também tem contribuído para a circulação de medicamentos falsificados ou vendidos de forma irregular. Em dezembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou alertas sobre a venda ilegal dessas “canetas emagrecedoras” no país.
Um dos sinais mais evidentes de fraude é o preço. Como esses medicamentos possuem valores tabelados e margens controladas, grandes descontos podem indicar irregularidade.
Diante desse cenário, o Reclame AQUI orienta os consumidores a verificar se o rótulo e a bula estão em português, conferir o lote e a data de validade tanto na embalagem quanto na própria caneta e exigir a retenção da receita médica, obrigatória para a venda desses medicamentos.
Outro ponto importante é realizar a compra apenas em farmácias licenciadas, com emissão de nota fiscal. Ofertas feitas por redes sociais, grupos de mensagens ou vendedores informais devem ser vistas com cautela.
Especialistas também alertam para os produtos manipulados. Farmácias de manipulação não estão sujeitas às mesmas exigências regulatórias aplicadas à indústria farmacêutica, o que pode gerar variações de qualidade, especialmente no caso desses fármacos considerados de alta complexidade.




