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    Home»Destaque»Serasa: inadimplência no campo cresce e atinge 8,3% da população rural
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    Serasa: inadimplência no campo cresce e atinge 8,3% da população rural

    BarthimanBarthimanjaneiro 21, 2026
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    A inadimplência no agronegócio brasileiro avançou 0,9 ponto porcentual na comparação anual e atingiu 8,3% da população rural no terceiro trimestre de 2025, evidenciando o aumento da pressão financeira sobre os produtores em um ambiente marcado por custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo. Os dados constam de levantamento divulgado em nota pela Serasa Experian.

    Na comparação trimestral, o ritmo de alta desacelerou, com avanço de apenas 0,2 ponto porcentual em relação ao segundo trimestre do ano. Ainda assim, a Serasa destaca que o patamar atual indica que uma parcela relevante do setor segue operando com fluxo de caixa pressionado. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Tecnologia diferencia cafés por região e detecta adulterações com rapidez e baixo custo Tecnologia diferencia cafés por região e detecta adulterações com rapidez e baixo custo

    Segundo o levantamento, a inadimplência rural está fortemente concentrada em dívidas com instituições financeiras. No terceiro trimestre, 7,3% da população rural apresentava atrasos junto a bancos, fundos de investimento e cooperativas de crédito. Já os débitos

    diretamente relacionados a credores do próprio agronegócio representaram apenas 0,3% do total, enquanto outros setores ligados à cadeia, como transporte, armazenamento e seguros, somaram 0,2%.

    Em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, afirmou que “a inadimplência segue avançando de forma gradual e, mesmo com alguma estabilização em partes do setor, muitos produtores continuam operando com margens apertadas e um fluxo de caixa pressionado dentro do contexto, que mantém custos elevados, preços voláteis e uma concessão de crédito mais seletiva”. Segundo ele, “esse é um cenário que reforça ainda mais a necessidade de uma gestão de risco apoiada por dados que contribuam para um setor mais saudável”.

    Apesar de atingir uma parcela relativamente limitada dos produtores, os valores envolvidos são elevados. No terceiro trimestre, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras alcançou R$ 100,5 mil. No caso dos débitos ligados diretamente ao setor agropecuário, o valor médio foi ainda maior, de R$ 130,3 mil, acima do observado em outros setores relacionados ao agronegócio, que registraram média de R$ 31,7 mil.

    Segundo Pimenta, “o perfil do crédito rural, marcado por tíquetes mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”.

    A análise regional mostrou forte disparidade entre os Estados. O Rio Grande do Sul registrou a menor taxa de inadimplência do País, com 5,1%, seguido por Paraná e Santa Catarina, ambos com 5,8%. Na outra ponta, o Amapá apresentou o maior porcentual, de 19,8%. Por região, o Sul teve o melhor desempenho, com inadimplência de 5,5%, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentraram os índices mais elevados.

    Em nota, a Serasa destacou que “o resultado do Rio Grande do Sul é surpreendente devido às perdas por seca e enchentes dos últimos anos na região”. Segundo a empresa, “o RS tem uma presença forte de cooperativas e sistemas integrados, como soja, milho, pecuária e leite, que oferecem suporte técnico e financeiro aos produtores rurais”, além do uso mais intenso de seguro agrícola e de instrumentos de mitigação de risco climático.

    O recorte por faixa etária indica que produtores entre 30 e 39 anos apresentaram a maior inadimplência, com porcentual de 12,7%. Já a população rural com 80 anos ou mais registrou o menor índice, de 3,6%. Por perfil de propriedade, produtores sem informação de registro rural lideraram os atrasos, com porcentual de 10,8%, seguidos pelos grandes proprietários, com 9,6%, médios, com 8,1%, e pequenos, com 7,8%.

    A leitura do AgroScore reforça o ambiente de maior cautela no campo. A pontuação média dos produtores rurais caiu de 644 para 603 pontos entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. Segundo a Serasa Experian, o movimento reflete maior seletividade na concessão de crédito e reforça a importância do uso de dados para mitigar riscos ao longo da cadeia. Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.

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