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    Home»Destaque»Terapia hormonal na menopausa não previne nem aumenta risco de demência, diz estudo
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    Terapia hormonal na menopausa não previne nem aumenta risco de demência, diz estudo

    BarthimanBarthimanjaneiro 23, 2026
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    Um estudo publicado na revista científica The Lancet Healthy Longevity concluiu que a terapia hormonal na menopausa (THM) não eleva nem reduz o risco de demência ou comprometimento cognitivo leve em mulheres nessa condição. A pesquisa analisou dez trabalhos com mais de um milhão de participantes entre 1º de janeiro de 2000 e 20 de outubro de 2025.

    Segundo Melissa Melville, uma das pesquisadores envolvidas no trabalho, vinculada ao departamento de psicologia clínica, educacional e da saúde da University College London, a prescrição de THM deve priorizar o alívio de sintomas como fogachos e insônia, sem expectativa de proteção cerebral.

    ‘As mulheres não devem iniciar a THM apenas com o objetivo de reduzir o risco de demência. As decisões sobre THM devem ser baseadas na gravidade dos sintomas e em uma discussão individual dos benefícios e riscos estabelecidos, levando em conta fatores como idade e histórico de saúde’, afirma.

    Estudos anteriores levantaram a ideia de uma ‘janela crítica’, sugerindo que iniciar a THM mais próximo da menopausa poderia influenciar o risco de demência.

    Mas Melville explica que grande parte dessas evidências vêm de estudos observacionais, que são propensos a vieses e podem superestimar os efeitos.

    ‘Nesta revisão, usamos a metodologia GRADE, uma abordagem mais rigorosa e cautelosa para avaliar a evidência. Quando analisada dessa forma, a maioria daqueles estudos fornece evidência de baixa certeza’, diz.

    A revisão não aborda sintomas cognitivos como névoa cerebral ou problemas de memória na transição menopáusica, comuns mas fora do escopo. Além disso, nenhum dos estudos analisados examinou o uso de testosterona ou o uso em insuficiência ovariana prematura.

    Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) não fornece orientação específica sobre THM e risco de demência, o que contribuiu para a incerteza entre clínicos, mulheres e formuladores de políticas, diz Melville.

    ‘Nosso trabalho ajudará a informar as próximas diretrizes da OMS sobre redução do risco de declínio cognitivo e demência, esperadas mais adiante este ano’, afirm.

    Nem toda mulher na menopausa deve iniciar tratamento com terapia hormonal, segundo Lúcia Helena Paiva, presidente da comissão nacional especializada em climatério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia).

    Uma contraindicação absoluta é o sangramento de causa desconhecida após um ano sem menstruar, que exige investigação completa antes de qualquer prescrição para descartar problemas graves.

    ‘Primeiro a gente precisa saber o que é esse sangramento, para depois ver se realmente ela vai poder ou não fazer reposição hormonal’, explica.

    Paiva afirma que há riscos que demandam avaliação individualizada, como o aumento de câncer de mama e trombose. ‘Explicamos às pacientes de forma clara sobre os riscos e discutimos individualmente.’

    A THM é reservada para quem tem sintomas intensos do climatério e se beneficia mais dela. É recomendada principalmente para sintomas vasomotores, como ondas de calor —os fogachos— e sudorese noturna, que a terapia ajuda a controlar.

    Outras indicações incluem ressecamento vaginal com dor nas relações sexuais, e prevenção de perda de massa óssea em mulheres com histórico familiar de osteoporose ou risco inerente à falta de estrogênio pós-menopausa.

    Benefícios adicionais, embora secundários, abrangem redução de eventos cardiovasculares, melhora do sono, libido e sintomas psicológicos como irritabilidade e ansiedade.

    ‘O maior benefício da terapia de reposição hormonal, sem dúvida, é a melhora dos sintomas, principalmente as ondas de calor. Quem tem ondas de calor, fica sem dormir direito por vários dias e acaba ficando mais irritada, cansada e com humor alterado’, afirma Paiva.

     

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