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    Uso de canetas emagrecedoras exige cuidados redobrados em idosos, alertam médicos

    BarthimanBarthimanjaneiro 20, 2026
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    O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente apelidados de canetas emagrecedoras, têm feito sucesso também em idosos pela promessa de controle do peso e de doenças associadas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Por outro lado, seus efeitos colaterais devem ser monitorados com cautela nessa população.

    Apesar de serem seguros para todas as faixas etárias, especialistas explicam que as condições clínicas ligadas ao envelhecimento podem tornar os efeitos adversos potencialmente mais graves.

    O uso da medicação aumenta a sensação de saciedade, diminuindo tanto o apetite quanto a sede. A nutricionista Simone Fiebrantz Pinto, especialista em gerontologia e membro do conselho consultivo da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) diz que esse comportamento já é comum em idosos, fazendo com que surjam riscos de comprometimento renal e infecção urinária por desidratação, quanto de hipoglicemia por ficar longos períodos sem comer.

    Uma revisão de literatura que analisou dez estudos sobre os efeitos dos agonistas do GLP-1 concluiu que eles reduzem a ingestão calórica em 16% a 39%, apesar de poucos estudos avaliarem de fato a composição da dieta. Outra pesquisa apontou que os participantes que utilizaram esses medicamentos não ingeriram vários dos nutrientes vitais recomendados.

    Além desta questão, o endocrinologista Fernando Valente, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), afirma que o principal efeito colateral desses remédios são gastrointestinais. ‘A pessoa pode ter náuseas, vômito, intestino preso ou diarreia’, diz. ‘Então ela não só come menos e bebe menos água, como pode perder nutrientes por diarreia ou vômitos.’

    Paciente de Valente, Terezinha Herzog, 76, faz uso de tizerpatida (Mounjaro) há cerca de seis meses. Quando iniciou o tratamento, estava com síndrome do metabolismo, colesterol, triglicérides e glicose altos. De lá para cá, emagreceu 10 kg e controlou os níveis de seus exames de sangue sem, segundo ela, nenhum efeito colateral.

    Porém, em uma viagem recente para a praia com a família, contraiu uma virose que gerou sintomas como vômito e diarréia. Nesse período, foi recomendado que ela interrompesse o uso de Mounjaro.

    A recomendação nesse momento visa preservar a hidratação da paciente e regular os sintomas gastrointestinais. ‘Essa é a importância do acompanhamento para ajuste de dose do Mounjaro, observação de perto dos efeitos e ajuste de outros remédios’, explica o endocrinologista.

    Para reduzir os riscos de desnutrição e desidratação, a nutricionista da SBGG recomenda a ingestão de pelo menos 30 ml de água por kg. Por exemplo, um adulto que pese 70 kg deve, no mínimo, beber 2,1 l de água por dia. Em relação a comida, o ideal é fracionar a frequência alimentar, comendo pequenas porções de alimentos mais vezes ao dia.

    ‘Principalmente lembrar da questão proteica, porque o alimento proteico tem um tempo de saciedade maior. Então, a orientação é primeiro comer na refeição fonte de proteína para garantir que vai atingir as quantidades desse nutriente que a pessoa precisa’, afirma.

    É essa recomendação que a professora universitária Sônia Moraes, 66, vem seguindo. Em três anos, ela perdeu 70 kg, combinando a cirurgia bariátrica e o uso dos medicamentos agonistas do GLP-1. No início, fazia uso da semaglutida, com fortes efeitos colaterais de náusea, o que cessou quando passou a usar a tizerpatida.

    Sem demais efeitos colaterais, busca comer priorizando a proteína, seguida de grãos e saladas. ‘E bastante água. Eu vivo sempre com a minha garrafinha por perto, e não era um hábito que eu tinha’, diz.

    Mas, assim como Terezinha, Sônia não segue uma rotina de exercícios físicos, o que pode ser um problema considerando outro efeito colateral potencializado pela idade: a perda de massa muscular.

    Emagrecer, em qualquer faixa etária, também faz com que cerca de um terço desse peso perdido seja de massa magra. Com a idade, existe também a perda de massa muscular chamada de sarcopenia, que pode levar a mais quedas, internações hospitalares, à dificuldade em caminhar, usar o banheiro e outras coisas do cotidiano. Estudos estimam que a perda é de 1% de músculo ao ano a partir dos 40 anos de idade.

    O geriatra Leonardo Oliva, presidente da SBGG, explica que, nos idosos, a repercussão dessa perda é muito maior, pois pode afetar a funcionalidade, autonomia e a independência no envelhecimento.

    Para ele, o exercício físico resistido, como a musculação e o pilates, é a única forma de evitar que esse processo seja prejudicial. O médico diz que um parâmetro que tem sido estudado para avaliar a quantidade e qualidade do músculo é a velocidade da marcha, ou seja, o quão rápido uma pessoa consegue caminhar; mas também o como a pessoa consegue levantar, subir escadas e se estão acontecendo quedas.

    ‘Se a gente não fizer essa união da medicação com um bom acompanhamento nutricional [para controlar a ingestão de proteína] e com fisioterapeuta ou educador físico, essa perda de peso não necessariamente vai refletir no ganho de saúde’, afirma, reiterando que não há a indicação da medicação para fins estéticos.

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