Depois de três derrotas seguidas, o Santos vive um momento turbulento na Série B do Brasileiro. E por causa disso, a comissão técnica tem recebido algumas cobranças da torcida, como pela promoção do boliviano Miguelito, considerado uma das promessas das categorias de base, ao profissional.
Fabio Carille, por sinal, estuda utilizar o meia depois que ele terminar sua participação com a Bolívia na Copa América dos Estados Unidos (o torneio ocorre de 20 de junho a 14 de julho). Por enquanto, o jogador de 20 anos treina e disputa competições pelo sub-20 do Peixe.
Na Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, Miguelito fez seis jogos, com quatro assistências, quatro gols e o rótulo de um dos melhores meias do torneio. Mas esse desempenho não foi suficiente para que ele conquistasse espaço entre os profissionais.
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No elenco principal, o boliviano já fez nove jogos (dois em 2022 e sete em 2023, sem assistências ou gols), mas nesta temporada ainda não teve chances. Alguns pontos, entre questões físicas e pessoais, explicam o fato de Miguelito não ter tido chance com Carille. E o ge mostra abaixo:
Drama familiar
Miguel Terceros chegou à base do Santos no início de 2022, em um intercâmbio promovido para fomentar o futebol santista na América do Sul. Ele assinou o primeiro contrato profissional em abril daquele ano, com validade até abril de 2027. De lá para cá, viveria uma montanha-russa.
Em janeiro de 2023, o garoto perdeu a mãe Mary Giovana Acuña Andia, de forma repentina.
Técnico do Peixe em 2023, Odair Hellmman, por exemplo, chegou a comentar com pessoas próximas que o trauma foi tão grande e impactante na vida de Miguelito que a continuidade da carreira chegou a estar em xeque.
O jogador se mudou à Baixada Santista sozinho, sem o acompanhamento dos familiares que, por questões pessoais e de ordem financeira, ficaram na Bolívia. Desde então, foram dois grandes choques na vida de Miguelito: a morte da mãe e também da avó.
Na época, o jovem meia quase entrou em depressão e teve uma possível sequência no time de cima totalmente interrompida por questões de ordem psicológicas e emocionais.
Paternidade e solidão
Com outro filho para seguir acompanhando de perto na Bolívia, o pai de Miguelito não conseguiu se mudar ao Brasil depois da morte da esposa. Seguiu com vindas esporádicas para estar perto do meia santista, mas o cenário da vida no Brasil mudou pouco para o jogador do Santos.
Nesse meio tempo, Miguel foi obrigado a lidar com outras responsabilidades: foi pai de duas crianças, de mulheres diferentes. Assumiu a paternidade de ambos, mas teve sua maturidade mais uma vez colocada em xeque no Peixe.
Com tanta coisa ocorrendo extracampo, o meia, segundo relatos, perdeu o foco no futebol e por isso não conseguiu oportunidades no elenco principal.
Recentemente, o ex-jogador Robert chegou a acusar Miguelito de “quebrar na noite”, algo que é veementemente negado por pessoas próximas ao meia. Para o ex-Peixe, esse seria um dos motivos para o baixo rendimento de Miguelito.
Questão física
O Santos contratou recentemente uma psicóloga para as categorias de base, mas Miguelito ainda não foi atendido por ela. O jogador lidou com as questões emocionais com o apoio à distância da família, de pessoas do clube e de seu empresário. Mas a questão física também pesou.
Em 2022 e 2023, Miguelito chegou a ser considerado um atleta sem o devido porte para suportar as “trombadas” que o profissional lhe traria. Nas duas temporadas, foram apenas nove jogos disputados pelo time de cima. Pessoas próximas a ele, acreditam que o garoto foi colocado na “fogueira”.
O cenário parece ter mudado em 2024: hoje, Miguelito lidera as estatísticas físicas do sub-20. É, por exemplo, quem mais corre nos jogos da equipe, com uma média de 11 km percorridos por partida. Tem suportado os 90 minutos em campo e evoluiu o corpo.
Atuou, por exemplo, por todo o jogo da Bolívia contra o México no fim do mês passado. Na última terça-feira, em entrevista coletiva no CT Rei Pelé, o coordenador de futebol Alexandre Gallo disse que a ideia é utilizá-lo em breve.
Proposta recusada
Prova da intenção do Santos em usá-lo no segundo semestre foi a recusa de uma oferta do Athletico-PR, que gostaria de ter Miguelito por empréstimo e com opção de compra fixada de 70% de seus direitos econômicos. A cessão provisória seria até o fim do Brasileirão. O Peixe não quis.
A recusa irritou o estafe do garoto no sentido de saber que haveria não só uma melhora da questão financeira, mas também a certeza de estar no time profissional do Furacão.
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